Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 30/10/2019
“Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?”. Os versos da música de Arnaldo Antunes vão além de problematizar as necessidades biológicas humanas. O povo brasileiro ainda tem fome de comida, infelizmente isso acontece porque a miséria não foi erradicada do país, contribuindo para a calamidade alimentar de milhares de pessoas. Assim, a ineficácia dos programas assistencialistas e o avanço da disparidade social são elementos preponderantes na manutenção desse dilema.
De fato, projetos governamentais foram criados para suprimir essa realidade, um deles é o Bolsa Família, o qual oferta uma ajuda de custo para os considerados de baixa renda. A fome transforma cenários geográficos, seja pela mendicância nas grandes cidades brasileiras, seja pela migração de pessoas de áreas com maiores perspectivas alimentares. A obra Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, retrata bem essa peregrinação.
Outrossim, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de sete milhões de brasileiros não possuem absolutamente nada para ingerir. Isto acontece devido a histórica disparidade econômica responsável por garantir refeições a uns, enquanto outros não possuem nem migalhas. No Brasil, atender aos interesses da elite é o foco das políticas nacionais, assim, ignorando a Teoria Malthusiana, em um futuro próximo, a crescente social e o descaso do governo vão ampliar ainda mais a fome no país ao invés de erradicá-la.
Urge, portanto, que o Governo Federal repagine o programa Bolsa Família, destinando mais verbas públicas para aprimorá-lo, cujo benefício deve ser dado às famílias necessitadas por meio do levantamento feito pelo IBGE. O intuito é minimizar as fraudes e garantir alimento na mesa de quem precisa. Em paralelo, Ong’s junto a agricultores devem criar cooperativas de recolhimento de alimentos que seriam desperdiçados, para selecioná-los e doá-los em várias partes do país onde a miséria é gritante. Assim, a música de Arnaldo Antunes ficará na seara conotativa.