Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 27/08/2020

Em primeiro lugar, é preciso entender a dinâmica agrícola brasileira. De fato, o desenvolvimento dos meios de cultivo aumentou a produção de alimentos, no entanto, simultaneamente a esse feito, ocorreu o progresso do agronegócio, que baseia-se, fundamentalmente, na exportação desses produtos. Sendo assim, a distribuição interna de alimentos fica a cargo da agricultura familiar, e esta, muitas vezes, não consegue abastecer todo o país, de modo que, pela lei da oferta e demanda, o preço dos gêneros alimentícios aumente. À vista disso, a parcela menos abastada da população possui acesso insuficiente à alimentação.

Em entrevista concedida ao programa Canal Agrovoz, o diretor do órgão a ONU também reivindicou o fortalecimento do pequeno agricultor, severamente atingido pela crise e pela falta de políticas públicas. O Programa de Aquisição de Alimentos, que já teve orçamento de R$ 1,2 bilhão, hoje não passa de R$ 100 milhões. “O pequeno agricultor familiar é responsável por toda a nossa alimentação. Não é possível que fiquem sofrendo os reveses de uma crise, eles são a base da sustenção de um país como o Brasil”, afirmou Balaban.

Em um primeiro plano, organizações não governamentais poderiam pressionar o Estado a sobretaxar os grandes exportadores de alimentos para que parte da produção fique no Brasil, de forma a complementar a oferta de alimentos advinda da agricultura familiar e impedir a elevação dos preços alimentícios. Ademais, o Poder Público poderia fornecer incentivos fiscais às empresas a fim de evitar grande números de demissões e para que as famílias possam viver de forma digna e humana.