Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 28/08/2020

Agora, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) o Brasil está voltando ao Mapa da Fome. Um caminho contrário ao anterior. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS), do IBGE, entre 2016 e 2017, a pobreza da população passou de 25,7% para 26,5%. Já os extremamente pobres, que vivem com menos de R$ 140 mensais, pela definição do Banco Mundial, saltaram de 6,6%, em 2016, para 7,4%, em 2017.

Essa situação e a volta da insegurança alimentar ao país foram debatidas nesta quinta-feira (25) na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM). Representantes do extinto Consea, FAO, conselhos estaduais de nutrição e parlamentares e Ministério Público discutiram como reverter esse quadro. “A extinção do Consea fragiliza o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

Essa lei é muito importante para o cumprimento do direito humano à alimentação adequada, que também está na Constituição e em pactos internacionais dos quais o Brasil faz parte”, explica Helder Salomão (PT/ES) presidente da CDHM. A ponta do iceberg A ex-presidente do Consea, Elisabetta Recine, confirma que desde a data de extinção todas as atividades foram suspensas.

Nem mesmo a Conferência Nacional de Segurança Alimentar, realizada há 6 anos, deve acontecer. “Acabar com a fome não é oferecer qualquer tipo de comida. Tem que oferecer alimentos produzidos de maneira limpa, justa, promovendo o desenvolvimento econômico e social. A fome é a ponta de um iceberg de violações de direitos”, explica Elisabetta.

Ela lembra que o Consea reunia indígenas, população urbana, povos tradicionais, representantes da saúde, cadeia de produção e agricultores familiares. Isso, para afirma.