Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 05/11/2020
Ulysses Guimarães, ao discursar sobre a Constituição de 1988, chamou-a de “Cidadã” devido à ênfase dada aos direitos dos cidadãos brasileiros. Nesse sentido, preveem-se, no Artigo 23º, combater as causas da pobreza, bem como organizar o abastecimento alimentar, para garantir o bem-estar dos indivíduos. Entretanto, tal conjuntura fica restrita à Lei Maior, pois a pobreza e a falha logística alimentícia alicerçam um acentuado problema social: a fome. Em face disso, são necessárias medidas que visem evitar a volta do Brasil ao Mapa da Fome – quando mais de 5% da população consome menos caloria do que o recomendado.
A princípio, é importante ressaltar a pobreza como uma das causas que impedem a alimentação regular no país. Sob tal ótica, na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, os personagens “mais novo” e “mais velho”, apesar de não possuírem nome, representam a identidade de muitos brasileiros que vivem em situação de miséria e fome. Nessa lógica, de maneira análoga à ficção, dados do IBGE, de 2014, que revelam que há 7 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade extrema, demonstram que essa mazela atinge muitas famílias. Logo, se impõe atuação do Estado, sobretudo em regiões periféricas e interioranas - como as retratadas na obra de Graciliano - por meio de políticas públicas que visem a superação de pobreza.
Outrossim, nota-se a má distribuição de alimentos no país. Nesse contexto, embora a agroexportação represente a base da economia brasileira, a persistência da fome revela que a desigualdade social não só é produto do sistema capitalista, como também é consequência da gestão ineficaz de comida. Com base nisso, estratégias durante a produção, armazenamento e transporte de alimentos podem amenizar o desperdício e, por conseguinte, erradicar a subnutrição. Em suma, deve haver mobilização entre diversos setores da sociedade para prover alimentos às parcelas sociais vulneráveis.
Urge, portanto, que caminhos sejam tomados a fim de evitar que o Brasil volte ao Mapa da Fome. Dessa forma, cabe ao Ministério da Agricultura, instância máxima da administração de aspectos agrários do país, em parceria com Organizações não Governamentais, organize bancos de alimentos em regiões pobres onde o Estado ainda é insuficiente, para que haja distribuição de cestas básicas à população carente, evitando a fome e a pobreza. Assim, o Brasil não fará parte do Mapa da Fome e a Constituição “Cidadã” será seguida na prática .