Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 17/11/2020

Quincas Borba, personagem de Machado de Assis, em sua teoria do Humanitismo, afirma que o homem vive na sociedade a mercê de uma seleção natural, na qual o vencedor recebe tudo. Não distante da ficção, a persistência da desigualdade social no Brasil, cria uma dicotômia social: muita riqueza acumulada nas mãos de poucos, enquanto milhões não tem o que comer diariamente. Em vista disso, é essencial a busca por medidas que busquem o combater a fome na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, é importante destacar como a disparidade econômica contribuí para a manutenção da fome no Brasil. Segundo a Teoria Malthusiana, desenvolvida no século XVIII, se a população não diminuísse o ritmo de crescimento, não haveria alimentos suficiente para todos. Contudo, hoje,  o avanço tecnológico permitiu o aprimoramento da agricultura e, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Carlos, o país produz o suficiente para alimentar todos os brasileiros, mas a concentração de renda dificulta sua distribuição igualitária. Dessa forma, para se combater a fome é necessário reduzir a desigualdade no corpo social.

Outrossim, o governo tem papel fundamental na resolução desse embate. Segundo o  filósofo John Locke, para viver em sociedade o indivíduo firma um contrato com o Estado, a fim de garantir a proteção de seus direitos naturais, como a vida. Sob tal ótica, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indicam que, atualmente, 10,3 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar, assim ao permitir a carência de alimentos a parte da população, a administração pública quebra o acordo firmado, uma vez que, esses são essenciais para a sobrevivência. Logo, para assegurar o cumprimento de seu dever com a nação, são necessárias a adoção de medidas de combate à miséria.

Fica evidente, portanto, a importância de ações que visem a mitigação da fome no Brasil. Para tanto, urge, que o Ministério da Educação,  por meio de verbas públicas, invista no aumento do número de escolas que ofereçam o ensino médio integrado a cursos profissionalizantes, como técnicos em química, farmácia, administração, entre outros. Para que assim, ao se formar, o indivíduo adentre no mercado de trabalho com maior facilidade, permitindo a obtenção de renda para sua família. Neste contexto, será possível a minimização a longo prazo, do número de pessoas em situação de extrema pobreza, possibilitando uma distribuição menos desigual das riquezas, evitando a efetivação do Humanitismo de Quincas Borba.