Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 27/11/2020
Uma reportagem feita pela emissora brasileira de televisão, Record, tornou-se viral nas redes sociais. Em um de seus trechos, Dona Maria de Nazaré, ao ser perguntada sobre a sua maior dor, responde prontamente que essa é a fome. Consoante a isso, embora o Brasil tenha saído do mapa da fome, o problema da carência de alimentos perante parte da população tupiniquim é uma realidade persistente. Sendo assim, é imprescindível analisar como a desigualdade social, somada ao intenso individualismo, tolhem o enfrentamento da problemática.
Mormente, é válido ressaltar que as disparidades sociais limitam o acesso aos alimentos no Brasil. De fato, a escassez de subsídios econômicos, que é enfrentada por uma parcela do contingente demográfico nacional, põe obstáculo a uma alimentação digna. No livro “O Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus narra sua trajetória como moradora de uma favela de São Paulo, na qual a fome faz parte do cotidiano da população existente ali, muitos os quais recorrem ao lixo para procurar comida. Dessa forma, é necessário que existam políticas públicas de combate à desigualdade, haja vista que essa está intimamente ligada à fome.
Por conseguinte, o individualismo da sociedade pós-moderna coloca o imbróglio à margem do esquecimento e descaso. Segundo o teórico Adam Smith, a benevolência seria uma fraqueza humana e o individualismo promoveria o progresso social. Entretanto, esse pensamento põe de lado a ideia de solidariedade e compartilhamento com o próximo. Analogamente a isso, para enfrentar a problemática da fome, mais que a ação do Estado, também é indubitavelmente necessária a ação da sociedade. Com isso, ONGs com projetos sociais podem atuar municipalmente em conjunto com a população local, minimizando os impactos da falta de alimentação.
Destarte, é incontrovertível que a sociedade tupiniquim passa por dificuldades no que tange ao combate a fome. Portanto, urge que tanto a sociedade quanto o Estado, unam-se em prol da resolução do problema, a partir de ações ligadas à mitigação da desigualdade, como também ações solidárias. Nesse contexto, por intermédio do Ministério do Desenvolvimento social, devem ser realocados recursos para programas de assistência de renda, de forma a colaborar com a diminuição das disparidades econômicas. Assim como, por meio de ONGs, devem-se convocar pessoas nos municípios que possam atuar de forma a recolher doações, tanto econômicas, como alimentares, para que assim, o Brasil não retorne ao mapa da fome e casos como o de Maria de Nazaré não sejam mais uma realidade.