Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 02/12/2020

O filme “O poço”, da plataforma de streaming Netflix, retrata um ambiente inóspito, o qual possui diversos andares onde, dependendo da posição a qual uma pessoa está, essa pode, ou não, ter acesso à comida. Apesar de fictício, o longa-metragem faz um paralelo com a realidade da fome no Brasil, haja vista o acesso desigual à comida no cenário tupiniquim. Dessa forma, é imprescindível analisar como tanto a desigualdade social, quanto a inoperância governamental, tolhem a superação da problemática.

Mormente, é válido ressaltar que o panorama da desigualdade é diretamente proporcional à quantidade e à qualidade da comida que um indivíduo consome. De fato, as disparidades sociais promovem inúmeras injustiças, e dentre essas, a escassez de uma alimentação digna. No livro “Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus narra sua vida como moradora de uma favela de São Paulo, retratando a condição social imposta, na qual muitos de seus vizinhos procuravam comida no lixo para ter o que comer. Analogamente a isso, esses indivíduos, que são atingidos pelos males da desigualdade, podem encontrar alimentos estragados, ficando a margem de condições insalubres e doenças.

Por conseguinte, na conjuntura tupiniquim hodierna, há pouca discussão a respeito da problemática da fome. Parafraseando o teórico John Locke, é dever do Estado garantir o bem estar social. Ademais, o atual presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, discorre sobre o assunto em uma entrevista, dizendo que a fome não é um problema que assola o contingente demográfico brasileiro. Consoante a isso, em âmbito político, o Brasil é extremamente antagônico à máxima de John Locke, tendo em vista o imenso descaso estatal na resolução do imbróglio, excluindo parte da população tupiniquim do direito de ter alimentação.

Destarte, é incontrovertível que a sociedade tupiniquim passa por dificuldades no que tange ao combate à fome. Portanto, urge que o Estado promova políticas públicas em prol da resolução do problema, a partir de ações ligadas à mitigação da desigualdade. Nesse contexto, por intermédio do Ministério do Desenvolvimento social, devem ser realocados recursos para programas de assistência de renda, de forma a colaborar com a diminuição das disparidades econômicas. Assim como a sociedade deve se educar sobre os problemas que afligem o contingente nacional, para, por meio do voto, escolher representantes que estejam dispostos a saná-los. Dessa forma, o problema será mitigado e a fome estará presente apenas na ficção.