Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 03/12/2020
Em meados de 2003, o Governo Brasileiro instaurava o programa social Fome Zero, a ação tinha como objetivo a erradicação da fome no Brasil, por meio da distribuição de cestas básicas para os cidadãos de menor renda. Porém, apesar de trazer benefícios nesse campo, diminuindo em grande número a quantidade de brasileiros que passam por essa situação, o problema ainda se encontra no país até os dias de hoje, sendo temerário um eventual retorno ao mapa da fome. Esse cenário se reflete por consequência de diversos fatores estruturais, mas no centro se encontram a questão da desigualdade e a má gestão de recursos por parte do Governo brasileiro.
Em primeiro lugar, é necessário apontar que essa realidade é, em parte, consequência das incongruências do modelo capitalista encontrado no Brasil. O crítico mais veemente desse modelo econômico foi o filósofo Karl Marx que, em seu livro “O Capital”, alertava para as suas contradições inerentes e como esse sistema tendia à concentração de renda e à exploração das classes com menor poder econômico, que ele cunhava como proletariado. Tais observações, encontram-se necessárias até hoje, na medida em que o Brasil sofre de uma imensa desigualdade social, sendo este um dos principais determinantes para insegurança alimentar no país.
Além disso, deve-se apontar a insuficiência das ações do Estado quando se trata de amenizar estes problemas. Dado que, atualmente, o governo foca em apenas combater os sintomas referentes a fome no país, sem ter o mesmo enfoque nas suas causas, que estão relacionadas à fatores econômicos e sociais mais profundos e prementes na sociedade brasileira. Essa conjuntura vai de desencontro ao conceito de “contrato social”, cunhado pelo filósofo iluminista John Locke, já que o Estado não totaliza sua função de garantir direitos indispensáveis, como a alimentação, o que infelizmente se observa no território nacional.
Assim, conclui-se que o problema da insegurança alimentar no país está enraizado nas contradições capitalistas e na ausência da ação efetiva do Estado como o mitigador desses efeitos. Dessa forma, urge que o Governo Federal, por meio de uma gestão mais efetiva dos gastos públicos, tenha uma atuação mais global no combate à insegurança alimentar no Brasil, ao aplicar seus recursos em áreas fundamentais, como educação e distribuição adequada de renda. Só assim, será possível reduzir os efeitos nocivos que a privação de alimentos traz para milhares de brasileiros, impedindo que o Brasil retorne ao perigoso mapa da fome.