Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 22/12/2020
Conforme informações divulgadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é um dos maiores produtores de bens alimentícios do mundo, considerado importante abastecedor global. Contudo, o mesmo país protagoniza, contraditoriamente, o aumento da subnutrição interna, tornando-se propenso a retornar ao mapa da fome. Nesse sentido, caminhos que visem a instauração de políticas públicas eficazes são imprescindíveis para reduzir a desigualdade e a miséria crítica.
Vale destacar, inicialmente, a inércia estatal na área como fator relevante na conjuntura. Sob esse viés, a elaboração da Constituição Federal, há 32 anos, baseou-se na concepção de que é dever governamental garantir uma dieta qualitativa para toda a população. Entretanto, percebe-se a realidade prática como destonante da teoria, haja vista dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que afirmam a existência de 10 milhões de cidadãos pátrios em extrema carência alimentar. Portanto, tal panorama nega direitos basilares e, por isso, deve ser alterado.
Ademais, nota-se a segregação e a pobreza como consequências diretas da problemática. Nessa perspectiva, a chefe de cozinha Bela Gil afirma que a nutrição carrega consigo o poder capaz de transformar a ordem social e firmar as bases de uma comunidade mais humana e igualitária. Assim sendo, ressalta-se a urgente necessidade de efetivar e democratizar o acesso a cardápios saborosos, sustentáveis e saudáveis, a fim de promover justiça social e qualidade de vida. Logo, medidas amplas devem ser postas em prática para atingir essas condições.
Diante disso, compete ao Ministério da Agricultura financiar a criação de hortas comunitárias em locais periféricos, por meio de uma parceria com a Receita Federal. Por sua vez, essa colaboração deve destinar 2% da renda tributária anual para a construção de áreas agricultáveis coletivas e para a distribuição gratuita de sementes nesses espaços. Com isso, objetiva-se garantir a atividade estatal e romper com as mazelas sociais. Dessa maneira, o Brasil há de se distanciar definitivamente do mapa da fome.