Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 28/04/2021
Após um ano na pandemia do Covid-19, o número de mortes não é a única notícia trágica que assola a população. Já na primeira metade de 2021 o país se deparou com cerca de 19 milhões de pessoas que passaram fome. Os caminhos para reverter esse quadro, evitando que o Brasil volte ao mapa da fome, passam pela compreensão desse fenômeno além das estatísticas e pela valorização da agricultura familiar, democratização da terra, resgatando os valores do Guia Alimentar para a População Brasileira.
Em primeiro plano, é interessante analisar a obra Notas Sobre a Fome, escrito por Helena Silvestre. No livro, a autora traz para a literatura a realidade de quem não tem o que comer, ao contar sua história ela sensibiliza o leitor quando revela a subjetividade de uma pessoa, não um dado estatístico. Para combater verdadeiramente esse fenômeno é preciso ir além das métricas, afim de compreender a realidade material desses indivíduos e formular políticas públicas que se encaixem nessas vidas.
Ademais, os conceitos de segurança e soberania alimentar abordados no Guia Alimentar para a População Brasileira são imprescindíveis ao pensar o combate a fome. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, tem papel importante nessa luta, com o apoio à agricultura familiar o MST se tornou o maior produtor de arroz orgânico da América Latina. A soberania alimentar vai na contra mão do latifúndio, que por sua vez, serve aos commodities destinados à exportação e negligencia o aspecto nacional.
Assim, é possível conceber esse combate em toda sua complexidade, tratando-se de indivíduos e interesses econômicos. O projeto para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome deve ser efetivo e duradouro, portanto, o Governo deve investir na educação e conscientização de gerações futuras, além de consolidar a tão sonhada reforma agrária, democratizando a terra e, consequentemente, diversificando a oferta de alimentos. Dessa forma, o país contará não só com uma população alimentada, mas também saudável.