Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 27/04/2021
Na obra ‘‘Quarto de Despejo’’ ,Carolina relata que ‘‘a cor da fome é amarela’’ e que se preocupava em como iria alimentar seus filhos. Saindo da autobiografia, nota-se que, assim como a autora, muitos brasileiros sofrem com a brutal realidade da falta de comida na mesa, fruto da vulnerabilidade social de alguns indivíduos. A partir desse viés, é válido analisar a questão da desigualdade de riquezas no Brasil, bem como os entraves para que o país não volte ao mapa da fome.
Em primeiro aspecto, é válido analisar que, apesar dos grandes avanços econômicos, sociais e tecnológicos, a falta de comida para milhares de pessoas no Brasil continua. Tal fato ocorre pelo resultado da desigualdade de renda, a falta de dinheiro e a vulnerabilidade social, as quais ainda existem na sociedade Brasileira. Tomando como base esse fato, o geográfo brasileiro Josué de Castro, demonstra em sua obra ‘‘Geopolítica da fome’’, como os processos de colonização e dependência econômica estão diretamente ligados à geração de pobreza e miséria extrema no mundo. Nessa perspectiva, fica evidente que essa problemática está diretamente relacionada a má distribuição de riquezas e extrema desigualdade no país, os quais refletem nas mesas de muitos brasileiros.
É possível observar, ainda, que a criação de alguns programas sociais, como o ‘‘Fome Zero’’ e o ‘‘Bolsa Família’’ contribuíram para amenizar a problemática do país. Por outro lado, a falta de acesso aos recursos produtivos e a distribuição desigual de riquezas são os principais pilares que deveriam ser organizados no Brasil, para que tais políticas de combate à fome sejam projetos alternativos de desenvolvimento. Ademais, os mais vulneráveis, têm tais planos como principal fonte de ‘‘segurança’’ alimentar e que não é suficiente. Nesse cenário, de acordo com o IBGE, o número de pessoas em situação de fome no Brasil aumentou para 5,2 milhões, em 2018, devido a um crescimento acentuado nas taxas de pobreza e desemprego. Dessa forma, fica clara a falta de efetividade dos programas sociais e a necessidade de reformular as questões econômicas, sociais e políticas nacionais.
Pode-se afirmar, portanto, que a mazela social deve ser erradicada. Dessa maneira, é preciso que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Cidadania, pelo seu papel de promover o desenvolvimento humano, deve ampliar projetos sociais, que permitam o acesso à educação, bem como a instauração de cursos técnicos e alfabetização, com o fito de diminuir as desigualdades sociais e a pobreza no país ,as quais estão ,intrinsecamente, ligadas à fome. Além disso, o Ministério da Agricultura, responsável pelo Agronegócio, com o INCRA, deve promover ações de reformas agrárias, por meio de doações de parte de latifúndios, a fim de estimular a produção de alimentos e a política nacional de subsistência. Desse modo, muitas pessoas não verão que a cor da fome é amarela.