Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 27/04/2021

Candido Portinari, na “Série Retirantes” evidenciou as tristes consequências da falta de alimentação que atinge uma parcela considerável da população brasileira. Nesse contexto, fora das telas modernistas, medidas devem ser tomadas para evitar que o Brasil volte a compor o Mapa da Fome, tendo em vista que essa nefasto cenário é consequência da desigualdade social e da falta de políticas contra a concentração de terras no Brasil. Logo, é preciso minimizar essas adversidades humanitárias.

A priori, é necessário destacar que a fome está diretamente relacionada com as questões econômicas de um país, haja vista que no mundo moderno e capitalista os custos alimentares e a concentração de renda estão cada vez maiores. Prova disso é que,  segundo a Fundação Procon, a cesta básica que custava cerca de R$ 863 em 2020 passou a valer aproximadamente R$ 1014 em 2021. Ademais, essa triste realidade é ainda mais intensificada, uma vez que o Brasil, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas, é o segundo lugar mundial de desigualdade de renda. Por conseguinte, grande parcela dos brasileiros não têm condição de comprar o mínimo necessário para se nutrirem e o risco do país voltar ao Mapa da Fome aumenta.

Outrossim, a ineficácia das ações políticas contra a concentração e o uso inadequado das terras tornam a fome uma ameaça constante no Brasil. Nesse âmbito, é possível observar que esse descaso tem origens desde o período Imperial com o dispositivo falho da Lei de Terras, que centralizou ainda mais as propriedades rurais, e perdura até hoje com a Indústria da Seca, que nega recursos para o desenvolvimento da agricultura no Sertão. Devido a isso, os brasileiros que não tinham dinheiro para comprar o alimento básico também não podem produzi-lo.

Portanto, o Governo Federal deve tomar providências para evitar que  o Brasil volte não volte para o Mapa da Fome. Para isso, é preciso que o ministério da economia, por meio da distribuição de vales para compra de cestas básicas, diminua o impacto da desigualdade social, afim de garantir a alimentação da população mais carente. Além disso, é mister que o Ministério da Agricultura, a partir da construção de obras comunitárias próximas a pequenas vilas, proporcione recursos para a agricultura familiar, com o objetivo de mitigar as consequências da concentração de terras. Dessa forma, os brasileiros não poderão ser mais retratados como foram por Candido Portinari.