Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 04/05/2021
“A fome é a pior coisa que alguém pode sentir”. Essa frase, dita por uma ex-prisioneira de campo de concentração, expressa o horror do qual um ser humano pode ser vítima mediante a privação de um direito básico. Hodiernamente, diversos brasileiros enfrentam essa desumana sensação e o país corre o risco de retornar ao mapa da fome. Logo, a fim de que isso não ocorra, alternativas, como o incentivo à agricultura familiar e a ampliação dos programas sociais, são imprescindíveis.
Mormente, Euclides da Cunha, em “Os sertões”, elabora a tese de que há dois brasis. Nesse panaroma, há o Brasil que come e aquele que não. Assim, tal como documentou o jornalista, a desigualdade social, que, em uma sociedade capitalista, tem por base a organização estratificante em concordância com o poder aquisitivo do indivíduo, provoca naqueles que não o possuem suficientemente para adquirir uma cesta básica a subalimentação. Dessa forma, tendo em vista que grande parte da população carente encontra-se em áreas rurais, esteios à agricultura familiar são de grande ajuda, pois essas pessoas não retiram da terra somente alimentos, que muitas vezes são escassos para o consumo diário, mas também renda para demais necessidades. Assim, subsidiar esse tipo de produção pode atenuar a carência de uma dieta saudável e o abismo entre esses dois brasis.
Outrossim, programas sociais, como o “Bolsa Família”, são um significativo passo para a resolução da problemática. Contudo, é preciso atentar à necessidade de, junto a eles, haver uma assistência social de forte atuação em comunidades, como em periferias - espaços que também concentram cidadãos atingidos pela insegurança alimentar. Nesse âmbito, o acompanhamento do cotidiano dessas famílias por agentes de saúde ou por ONG’s auxilia a disponibilidade de recursos e a efetiva aplicação dos propósitos dos programas estatais. Desse modo, a responsabilidade do Governo para com a causa, conforme a Constituição de 1988, a qual define a alimentação como direito essencial, deve, de fato, ser vista em prática.
Destarte, medidas são necessárias para mitigar a situação de fome no Brasil. Para tal, o Ministério da Agricultura deve promover subsídios ao sistema de cultivo em regiões carentes por meio de parcerias com os governos municipais, de forma a fornecer recursos hídricos e técnicos para o plantio, além de ajudar no comércio desses produtos. Haverá, portanto, a geração de renda e subsistência adequada às famílias. Ademais, o Ministério da Cidadania precisa assumir a atitude de assistir essas pessoas a partir de associações com ONG’s locais e implantação de casas de assistência social para assegurar a diminuição da fome. Então, ter-se-á um Brasil em que ninguém enfrente a pior sensação de todas.