Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 28/04/2021

No ano de 2014, após um investimento bilionário estatal por meio de programas sociais, o Brasil deixou o mapa da fome. Contudo, logo em seguida, infelizmente, o país entrou em recessão econômica e esses investimentos foram reduzidos, consequentemente, isso pode causar a volta da nação  a esse mapa, pois parte da população está desempregada e precisa de auxílio do Estado. Nesse sentido, a ampliação de programas assistencialistas e a mudança de atitude da sociedade são caminhos para evitar o retorno do Brasil a isso.

Em primeiro plano, faz-se fundamental analisar a necessidade de se expandir os investimentos em programas assistencialistas para evitar o retorno ao mapa da fome. Nesse contexto, segundo o Ministério da Cidadania, o país tinha, em dezembro de 2020, 2 milhões de famílias na fila para receber o benefício do Bolsa Família. Esse dado é alarmante, pois demonstra que o país não está dando assistência suficiente a sua população, além de descumprir a Constituição Federal, a qual assegura auxílio aos cidadãos desamparados. Logo, permitir que mais de dois milhões de brasileiros esperem, em demasia, pelo cumprimento desse direito, além de desumano, porque pode fazer essas pessoas terem insegurança alimentar e ficarem desnutridas, é crime.

Em segundo plano, é imprescindível parlamentar acerca da antipatia de parte da população mais favorecida às pessoas com insegurança alimentar. Nessa conjuntura, e conforme o pesquisador Zygmunt Bauman, na sua teoria da modernidade líquida, a insensibilidade moral é uma tendência da sociedade atual, isto é, os indivíduos ignoram o sofrimento alheio, pois são individualistas. Então, os desamparados, os quais necessitam que haja uma pressão popular para serem vistos como prioridade pelo Governo Federal e terem o cumprimento de seus direitos, são ignorados por essa parcela dos cidadãos e esquecidos na subalimentação pelo Estado, assim, confirmando a tese do pensador. Dessa forma, se a sociedade não mudar sua atitude e pressionar a União para executar esse direito, será complicado evitar o retorno ao mapa da fome.

Portanto, fica evidente a necessidade de uma maior atenção por parte do Governo Federal ao tema. Sendo assim, o Ministério da Cidadania deve agir, a fim de evitar o retorno do país ao mapa da fome, por meio da elaboração de uma renda básica universal, isto é, o Estado deve pagar às famílias, a qual têm arrecadação mensal por pessoa menor do que um salário mínimo, um valor para auxiliá-las financeiramente, e isso, além de movimentar a economia, pois haverá mais capital circulando, tem sua verba retornada pelos impostos à União. Assim, com a aplicação de tal medida, o Brasil mitigará a quantidade de cidadãos com insegurança alimentar.