Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 29/04/2021
O documentário “O caminho da Fome”, produzido pela Record, demonstra o quanto a questão da falta de comida ameaça a muitos brasileiros, sobretudo, de regiões do interior nordestino. Nesse contexto, para evitar que tal problemática se intensifique e se torne novamente uma realidade, é fundamental uma maior participação do governo, o qual deve criar e aprimorar programas sociais, além de investir no fortalecimento da agricultura familiar.
Em primeira análise, é válido destacar a precariedade das iniciativas assistencialistas por parte do Governo, ocasionando a exclusão de muitos necessitados. Nessa ótica, o pensador Milton Friedman dá ênfase a importância dos programas sociais como forma de ajudar os que mais precisam, sendo um dos papeis do Estado fornecer o pleno desenvolvimento humano, e, assim, garantir os direitos inerentes a qualquer pessoa, sobretudo, a alimentação. Por essa razão, bem como pela Constituição Federal, a qual determina em seu artigo seis os direitos sociais, a participação governamental é fundamental para mudar essa realidade e acabar com a fome no país. Assim, uma maior intervenção estatal ajudará nessa transformação.
Em segunda análise, é indubitável a falta de maiores incentivos à prática da agricultura familiar, a qual garante a alimentação essencial de maior parte dos brasileiros. Nessa perspectiva, o geográfo Milton Santos destaca a desigualdade social existente no país, a qual influência diretamente no modo de produção, havendo o predomínio do latifúndio, ou seja, a grande propriedade, e a exclusão do minifundio, pequenas porções de terra. Dessa maneira, com a grande concentração de terras nas mãos das grandes empresas, bem como da falta de assistência técnica e linhas de crédito para os pequeno agricultores, há uma constante exclusão da população do campo, a qual não tem condições de trabalhar e conseguir seu alimento. Logo, a desvalorização da agricultura familiar corrobora com a persistência da fome no Brasil.
Portanto, medidas são necessárias para garantir que a fome não afete mais a população brasileira. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal, como responsável pelo bem estar da população, incluir mais pessoas em seus programas assistencialistas. Tal ação deve ser feita por meio de multirões de cadastros de pessoas marginalizadas, incluindo as que não possuem acesso à internet, fornecendo uma quantia suficiente para seu desenvolvimento a fim de garantir o direito à alimentação. Além disso, o Estado deve fornecer melhores condições para o desenvolvimento da agricultura familiar, através da facilitação ao acesso de crédito, bem como de cursos técnicos instrutivos para auxiliar essa população. Tal medida visa a independência do cidadão e a oportunidade de trabalhar em sua própria terra.