Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 04/05/2021
O pintor Edvard Munch, no quadro “O Grito”(1893), mostra dois personagens, ao fundo da tela, que se revelam negligentes à aflição da figura humana do plano central. Contudo, a ausência de empatia não se limita à arte expressionista, já que as vítimas da fome no Brasil vivem algo semelhante. Nessa ótica, vale analisar os caminhos para evitar que essa problemática continue sendo uma realidade no país.
De início, verifica-se que o Estado tem se mostrado negligente ao permitir que os cidadãos enfrentem situações de privação alimentar. Isso porque existe uma falha no processo de assistência, uma vez que falta auxiliar, de forma assídua, os brasileiros que não dispõem de condições suficientes de realizar refeições diárias, o que prejudica a saúde destes, podendo causar desnutrição e diversas doenças por falta de calorias, vitaminas e nutrientes. Sendo assim, o Poder Público não tem garantido o bem-estar de toda a comunidade, o que configura uma ruptura no contrato social teorizado pelo filosófo Thomas Hobbes.
Ainda, evidencia-se que aceitar o problema e não atribuir a este a sua devida importância e seriedade caracteriza-se como uma banalização do mal. Porém, parte da sociedade tem demonstrado certa apatia diante da ausência de investimento financeiro, uma vez que falta investir em programas que possam reduzir o número de pessoas que enfrentam dificuldades para se alimentar no Brasil e evitar que o país volte ao mapa da fome, o que torna a situação de sobrevivência cada vez mais difícil para aqueles que, quando conseguem algo para comer, não sabem quando irão se alimentar novamente. Recorrendo às reflexões da filósofa Hannah Arendt para explanar esse fato, constata-se que, em virtude de um processo de massificação social, as pessoas vêm perdendo a capacidade de discernir, moralmente, o certo do errado.
Convém, portanto, ressaltar que a fome no Brasil deve ser superada. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante audiências públicas, uma assistência eficiente para as pessoas que não usufruem de uma alimentação adequada, por meio de auxílios específicos para o benefício alimentar, a fim de proporcionar uma melhor nutrição e qualidade de vida aos cidadãos que não têm tais oportunidades. Além disso, o Poder Público, através do ministério competente, viabilizar a criação de programas que possibilitem o acesso aos alimentos às comunidades que não possuem tal beneficência, de forma que as famílias pudessem receber cestas básicas em suas casas mensalmente, com o objetivo de reduzir o número de brasileiros que enfrentam problemas para obter o sustento nutricional. Assim, o Brasil seria impedido de retornar ao mapa da fome e, dentro de alguns anos, esta problemática ficaria apenas como uma lembrança de um desafio que foi superado.