Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 04/05/2021

O poema “O Bicho” de Manuel Bandeira, feito em 1947, faz uma crítica a realidade social do Brasil da epóca, relatando a fome e a miséria, através do homem que comia lixo como um “bicho”. Análogo a realidade, apesar do Brasil estar fora do mapa da fome desde 2014, muitos ainda são famintos e vivem como “selvagens”. Diante disso, é válido analisar tanto as causas históricas da problemática, quanto as maneiras de evitar que aconteça.

É fato que, no Brasil, mesmo tendo como direito a alimentação e a assistência aos desamparados, como consta no artigo 6° da Constituição, grande parcela da população não “desfruta” disso e, logo, fomenta à volta do país ao mapa da fome. Tal questão pode ser justificada pela desigualdade social enraizada, fruto da distribuição desproporcional de terras e rendas no período colonial e que, infelizmente, acontece até hoje, como comprovou o médico e geográfo Josué de Castro em suas obras, após mapear todo o Brasil. Em suma, devido a concentração fundiária e da distribuição de renda desproporcional no país, grande parte da população não tem o sustento necessário para comer, que é descrito como direito seu por lei. Diante disso, é imprescíndivel que haja, não a ampliação de alimentos, mas, a distribuição  dos recursos,  e da terra para os trabalhadores nela produzirem, dando condições para a minoria se auto-sustentar, por meio de um trabalho e remuneração digna.

Outrossim, é importante que, para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome, haja uma transformação na agricultura para oferecer mais produtos saudáveis às áreas mais carentes, que, por muitas vezes só têm acesso à comidas calóricas, por exemplo, biscoitos recheados e refrigerantes de indústrias grandes e não dos agricultores familiares, que fabricam alimentos benéficos à saúde, como explica o diretor do Centro de Excelência Contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Daniel Balaban: “Não existe combate à fome sem ajuda ao pequeno agricultor familiar. Não existe. É por ele que vamos conseguir combater a fome e a desnutrição.”

Diante disso, é necessário que a problemática seja resolvida antes que o Brasil volte ao mapa da fome. Para isso, é fundamental que o Ministério das Cidades, pela missão de combater a desigualdade social pela ampliação do acesso da população à moradias, providencie a distribuição justa de terrenos, começando pelas regiões mais desiguais do país, por meio de projetos sociais que visem regulariza-las. Ademais, é imprescindível que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento aprimore os programas de apoio à agricultura familiar. Tal ação deve ocorrer por meio da ajuda com a incersão aparelhos tecnológicos mais novos e na distribuição regional das comidas saudáveis, a fim de que as populações mais carentes tenham maior acesso à produtos benéficos para acabar com a desnutrição.