Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 03/05/2021
No século XX ocorreu a Revolução Verde, na qual houve aumento e modernização da produção agrícola, com o objetivo de acabar com a fome mundial. Não é complicado perceber, todavia, que essa meta não foi alcançada e muitos países, a exemplo do Brasil, ainda sofrem com esta problemática. Tal realidade se aplica a dois fatores: à agricultura exportadora brasileira, bem como a atual crise econômica.
Inicialmente, é necessário entender a dinâmica agrícola brasileira. Realmente, o desenvolvimento dos meios de cultivo aumentou a criação de alimentos, contudo, simultaneamente a esse feito, ocorreu o processo do agronegócio, que se baseia principalmente na exportação desses produtos. Fato que é comprovado segundo a pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em que apenas 30% do que é produzido no agronegócio fica no país. Desta forma, a distribuição interna dos alimentos fica sob a responsabilidade da agricultura familiar, e esta, muitas vezes, não consegue abastecer todo o país, de maneira que, pela lei da oferta e demanda, o preço dos gêneros alimentícios sobe. Diante disso, a parcela menos privilegiada da população acaba possuindo acesso insuficiente a alimentação.
Além disso, é importante ressaltar que em um contexto de crise, o problema da fome tende a aumentar. Isso visto que a consequência imediata dessa conjuntura é a retração do mercado, e a solução mais utilizada, é o corte de gastos das grandes empresas com demissões em massa. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2020, 13,5% da população estava desempregada, correspondendo a 13,4 milhões de habitantes. Logo, esse cenário resulta, por conseguinte, a perda de fonte de muitas famílias que passam a não conseguir a própria subsistência, gerando cada vez mais, indivíduos em carência alimentar.
Portanto, as problemáticas supracitadas são bastante graves e necessitam ser resolvidas de maneira que o Brasil não volte ao mapa da fome. Para isso, em um primeiro plano, organizações não governamentais devem pressionar o Estado, órgão responsável por aplicar políticas públicas, a sobretaxar os grandes exportadores de alimentos, para que parte dos alimentos fique no país, de forma que complemente a oferta proveniente da agricultura familiar, impedindo assim, a subida dos preços alimentícios. Ademais, o Poder Público tem que fornecer incetivos fiscais às empresas, de modo a evitar grandes números de demissões, com o propósito de gerar uma vida sem carência alimentar, executando deste modo, a meta da Revolução Verde.