Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 05/05/2021

Em 1946 Josué de Castro, no livro “Geografia da fome”, afirmava: “metade da população brasileira não dorme porque tem fome; a outra metade não dorme porque tem medo de quem está com fome”. No cenário de 2021, percebe-se que a realidade descrita pelo escritor torna-se cada vez mais próxima, pois minorias sociais continuam sofrendo com a insegurança alimentar, sendo necessários caminhos para combater essa problemática. A partir desse viés, é preciso analisar o investimento em políticas públicas e a responsabilidade do cidadão.

De início, observa-se que, segundo a Constituição Federal promulgada em 1988, todos os indivíduos possuem direito à alimentação. Diante dessa perspectiva, nota-se que o descumprimento disso gera um desequilíbrio legislativo e afeta diretamente os cidadãos brasileiros. Assim, um dos caminhos para haver a segurança alimentar, prevista constitucionalmente, é o investimento em políticas públicas, como a Política Nacional de Alimentação e Nutrição, que objetiva a garantia de um plano nutricional soberano. Então, é preciso que o Governo Federal crie uma ação para afirmar as diretrizes básicas do ser humano, pois é de sua responsabilidade a garantia do bem estar do brasileiro.

Ressalta-se, ainda, que o papel do indivíduo, como integrante da sociedade, no combate à fome é imprescindível, pois um consumo sustentável e consciente dos recursos disponíveis ajuda a reduzir a desigualdade de acesso e a variação dos preços alimentícios. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, são desperdiçadas cerca de 41 toneladas de alimentos por dia no Brasil. Diante dessa realidade, percebe-se que se faz necessária uma reflexão acerca dos hábitos de consumo individual, pois, enquanto uns possuem o suficiente para desperdiçar, outros não têm a dignidade de alimentar-se com uma fonte nutricional digna. Um exemplo disso é o documentário “Ilha das flores”, do diretor Jorge Furtado, que apresenta a trajetória dos alimentos desperdiçados na mesa dos brasileiros até chegarem nos lixões à céu aberto, local onde a população carente usa-os como fonte alimentar.

Nota-se, portanto, que é de suma importância que a fome no Brasil seja precavida. Para tanto, é preciso que Ministério da Cidadania, em parceria com os governos estaduais, assegure o cumprimento dos direitos básicos existentes no país, por meio de campanhas que visem à disseminação de políticas públicas e o incentivo dos estados de promoverem as medidas em seus territórios, com o objetivo de diminuir a insegurança alimentar no país. É preciso, ainda, que a mídia socialmente engajada, em parceria com o Ministério da Cidadania, faça campanhas acerca da fome e sobre o desperdício de alimentos, por intermédio de propagandas em horário nobre, a fim de que haja reflexão dos cidadãos acerca de seus hábitos. Assim, o cenário escrito por Josué de Castro não será a realidade do Brasil.