Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 04/05/2021
Josué de Castro, pensador e ativista brasileiro, afirma em seu livro ‘‘geografia da fome’’ que o determinante para a fome, no Brasil, não é o fator locacional - como o senso comum sugere- e sim político. Nesse sentido, entender como que no sistema capitalista ela é estruturada e reforçar as políticas nacionais de combate a esse problema são caminhos importantes para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome. Isso, infelizmente, foi um cenário real na história do país por muito tempo e, hoje, com a pandemia de Covid-19 ameaça voltar e vai de encontro a um direito humano fundamental.
A princípio, entender como que num sistema - capitalista- tão dotado de tecnologia para alterar geneticamente alimentos pode existir pessoas com insegurança alimentar, ou até mesmo fome. Pode-se entender que a partir das décadas de 60 e 70, no Brasil, aconteceu a Revolução Verde que possibilitou o aumento das práticas agrícolas em lugares que antes não eram propícios - como a soja no centro-oeste - e, consequentemente, da produção de alimentos. Entretanto, esses recursos não eram destinados à mesa dos brasileiros e sim, para a exportação, deixando assim, a agricultura familiar responsável por aquela função. Haja vista que essa prática agrícola vem sendo sucateada, com suspenção de financiamentos - segundo o site Rede Brasil Atual- ,seria necessária uma reforma agrária para ampliar essa prática, o que seria inválido para o sistema.
Além disso, reforçar práticas de combate à fome adotadas uma vez pelo governo, principalmente num momento de pandemia, torna-se um caminho cada vez mais válido. Tendo em vista a existência do programa ‘‘Fome Zero’’, criado em 2003 no governo Lula, a sua utilização vai ao encontro de várias medidas públicas estruturais, específicas e locais - presentes no site da Unicamp- que, teoricamente, erradicariam a fome no país, que mais uma vez é política e não causada por falta de alimento. Ainda que tenha existido o auxílio emergencial, ele não foi suficiente para resolver temporariamente o problema da pandemia, o que acaba arrastando o país mais uma vez para bem próximo do mapa da fome, uma situação incoerente diante do potencial econômico da nação.
Portanto, é necessário traçar caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome. Assim, cabe à sociedade civil - exercer seu dever de cidadã- cobrar e supervisionar o Estado na manutenção das políticas públicas existentes, por meio de petições online, a fim de que ele cumpra seu dever e afaste o país desse mapa. Ademais, cabe ao Estado - provedor do bem-estar de seu povo e devoto da vontade geral- incentivar a agricultura familiar, por meio de aplicação de verbas e criação de renda fixa mensal aos pequenos agricultores, para que eles possam abastecer a mesa do brasileiro com sucesso e garantir a dignidade humana, que antes lhes foi negligenciada.