Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 01/05/2021

No filme “O Menino que Descobriu o Vento”, é retratada a história de uma família que, vivendo em condições de fome, para sobreviver, dependia de plantações agrícolas, uma vez que o governo ofertava pouquíssimas condições para a classe na qual eles faziam parte: a terceira. Longe da esfera cinematográfica, tal situação se encaixa ao Brasil atual, haja vista que, apesar da evolução marcante, a fome ainda se faz presenta socialmente e engloba uma parcela significativa do país. Assim, percebe-se um grave problema que possui como caminho de resolução não só maior controle sobre a concentração de renda, mas também a implantação de planos governamentais mais efetivos.

A priori, pode-se observar que, segundo o Comitê de Oxford para Alívio da Fome, 0,5% dos brasileiros concentram quase 45% do PIB nacional. Tal disparidade é um impasse no que tange os caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome, visto que a parte da população que não apresenta esse poder aquisitivo fica vulnerável a condições de vida inferiores e, com isso, não possui o alimento da forma que deveria ter em seus lares. Além disso, com a fome ao redor, a saúde desses é comprometida, o que agrava a situação. Logo, enquanto a distribuição de renda, através de programas maiores de incentivo não for efetuada de forma totalizadora, os percalços persistirão no país.

Ademais, além da resolução da má disposição do provento, os planos administrativos devem ser efetuados de forma melhor, já que, segundo a Constituição Federal, a alimentação totalitária é um direito de todos. No entanto, observa-se, muitas vezes, um tangenciamento governamental para a realização dessa lei, pois, além de não investir para diminuir os casos de falta alimentar, ainda corta verbas que seriam destinadas a esse óbice, como em 2019, quando foi vetado o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que direcionava recursos aos estados para auxiliar na compra de cestas básicas para alunos. Tal fator evidenciou um grande retrocesso no país, de modo a mostrar o infeliz risco que o Brasil corre de voltar aos gráficos de fome, bem como a ineficiência e descaso estatal.

Fica claro, portanto, que o problema em voga é bastante grave e deve ser resolvido para que o Brasil não volte a participar do horrível mapa. Cabe ao governo, nesse contexto, como instância máxima da nação, a formulação de um Plano de Integração Alimentícia, com o objetivo de tornar o acesso ao alimento algo democrático e cabível a todos os cidadãos, principalmente para aqueles que têm pouco ou nenhum poder aquisitivo. Além dessa resolução, o Plano pode ofertar empregos em setores diversos para os que querem mudar sua situação e a do país, de modo a conseguir manter-se e minimizar a marcante concentração de renda. Feito isso, o governo mostrará seu real papel nacional e os brasileiros não viverão da forma como vivia o Menino que Descobriu o Vento e sua família.