Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 04/05/2021
“É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la”. Nesse trecho de Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, é possível perceber uma temática recorrente em seus diários, a fome. Passado o hiato temporal de pouco mais de 60 anos ainda é possível encontrar, na atualidade, relatos como o da autora que transformou em livro a realidade em que vivia. Realidade essa, que na contemporaneidade põe o Brasil em risco de voltar ao Mapa da Fome— levantamento feito pela Organização das Nações Unidas sobre a situação mundial de carência alimentar— de onde tinha saído no ano de 2014. Perante isso, é necessário por em debate caminhos para a erradicação da fome.
Primeiramente é necessário compreender que é dever do Estado, garantir à sua população o básico para a plena sobrevivência. Entretanto, no contexto atual é perceptível a falta de politicas publicas voltadas ao combate da escassez de alimentos nas mesas brasileiras. Agravando assim o problema da fome epidêmica— que ocorre em momentos de crise— e da fome endêmica —que diz respeito a desnutrição— explicados por Josué de Castro na sua obra Geografia da Fome. Um exemplo claro dessa falha governamental é a diminuição de investimentos em programas sociais, como o Bolsa Família, que vem ocorrendo desde o ano de 2018.
É valido pontuar ainda que o problema de insegurança alimentar não diz respeito a problemas agrícolas ou falta de recursos naturais, ele se concentra na má gestão. Isso se torna claro se observado as previsões da revista internacional Financial Times, que acredita que até 2025 o Brasil será o maior produtor de alimentos do mundo. Entretanto, esse grande quantitativo alimentício volta-se quase que totalitariamente para a exportação em forma de commodities (matéria prima de baixo custo) encarecendo o excedente voltado ao comercio nacional, dificultando assim o acesso da camada mais pobre aos itens básicos de alimentação. Isso é evidenciado pelos dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos que mostrou o crescimento, em 2020, do valor da cesta básica nas capitais em uma média de 23,5%.
Portanto, é imprescindível que seja posto em pratica programas que garantam o acesso a alimenta-ção à população. Para isso é fundamental que o governo federal, através do Ministério da Saúde aliado ao Ministério da Agricultura, crie projetos de estímulo e ampliação da produção para consumo nacional. Tal ação deve ocorrer por meio de estímulos fiscais aos produtores já existentes e auxílios financeiros as comunidades onde o problema da fome é grave, por exemplo, ampliando nessas localidades o valor dos programas sociais, a fim de que o Brasil se mantenha distante do Mapa da Fome. Afinal, é imprescindível que todos os brasileiros não saibam descrever a fome, como Carolina faz tão bem.