Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 02/05/2021

“A fome tem cor, a Amarela”. Frase articulada por Carolina de Jesus, no seu livro “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”, a catadora de papel, em 1955, escreve à respeito de suas dificuldades cotidianas enfrentadas por viver em meio à mizéria, entre elas, o sofrimento de uma mãe por não poder colocar comida na mesa para os seus próprios filhos. Apesar de décadas terem passado, é notório a quantidade de famílias brasileiras que ainda passam pela mesma situação. Sob tal perspectiva, é indiscutível analisar o que tem levado o país a estar cada vez mais perto a voltar ao Mapa da Fome.

O primeiro aspecto a se considerar sobre a subnutrição no Brasil é que está diretamente ligada à Revolução Industrial, ocorrida no século XVII. Isso por causa da concentração de renda, já que foram agravadas ainda mais as desigualdades sociais existentes entre os burgueses e as pessoas em situação de pobreza, em que as mesmo tempo que uns conseguiam maiores lucros em menos tempo, outros por conta do desemprego em massa, lutavam para sobreviver, tendo como consequência a insegurança alimentar. Percebe-se isso, por exemplo, a partir de dados obtidos pelo Organização das Nações Unidas (ONU), que expõe que o Brasil possui a  2ª maior concentração de riquezas do mundo, perdendo apenas para o Catar, ou seja, apenas 1% da populaçaõ possui 30% da renda total do país.

Ademais, fica claro que o crescimento da subnutrição em países subdesenvolvidos, como o Brasil,  está diretamente associada à negligência governamental. Partindo do pensamento do cientista social Josué de castro, para quem o que falta é vontade política para mobilizar recursos a favor dos que têm fome, pode-se concluir que, para as pessoas que estão no poder, o governo é usado, apenas, como ferramenta de interesses individuais. Isso ocorre, pois o direito à alimentação no país, segundo a Constituição Federal, de mais 7 milhões de pessoas, em 2014, de acordo com o IBGE, não está sendo devidamente respeitado. Dessa forma, com base na UNO, o Brasil, tem grande possibilidade de voltar, até 2022, ao Mapa da Fome, estudo que analisa e localiza a distribuição da desnutrição no mundo.

Fica evidente, portanto, a urgência em aplicar medidas que, de fato, combatam a questão da fome no Brasil. Assim, é fundamental que o Pode Público renove projetos sociais, como a Bolsa Família e Fome zero. Além disso, quanto à sociedade, juntamente com a mídia, cabe a solidariedade e a empatia, principalmente por meio de campanhas que incentivam a reflexão sobre o despedício alimentar e sobre doação de alimentos destinados à pessoas necessitadas. Isso será feito a fim de que menos “Carolinas” passem pela mesma dor de ver o mundo apenas amarelo por causa da fome.