Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 02/05/2021
Na Idade Média, mudanças climáticas e situação de super povoamento nos feudos levaram a uma forte carência de alimentos, que, consequentemente, resultou em mortes e diminuição das forças produtivas. Apesar da diferença cronológica, a questão da fome ainda é preocupante na atualidade, sobretudo no Brasil, país cujos índices alimentícios são precários e influenciam na deterioração dos dados socioeconômicos. Nesse sentido, tendo em vista a instabilidade do quadro alimentar nacional, são necessários caminhos que evitem a volta da nação ao mapa da fome, seja por meio de medidas estatais que promovam a agricultura familiar, seja por incentivo à novas tecnologias pertinentes.
Inicialmente, é necessário entender o aparato governamental como assegurador das condições básicas de vida à população. Segundo o artigo 6° da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado a garantia de uma alimentação adequada como direito social fundamental. Para tanto, é preciso desenvolver programas que incentivem a produção alimentícia local, voltada principalmente para a subsistência regional porque assegura o acesso a uma refeição de qualidade. Logo, o apoio dado à agricultura familiar é intrinseco pois, ao mesmo tempo que facilita o acesso da parcela mais carente da sociedade aos alimentos, contribui para melhorar os índices socioeconômicos, uma vez que os gêneros produzidos constituem-se como principal fonte de renda da parcela social.
Outrossim, é essencial a contínua busca por métodos e técnicas de produção alimentar que aumentem a produção, ao mesmo tempo em que busquem reduzir o valor final da comida, de modo que o preço seja acessível a todos. Reflexo direto da Revolução Industrial, a Revolução Verde refere-se ao contexto de invenção e disseminação de novas sementes e práticas agrícolas a partir de 1960. Porém, nessa lógica, não só bastava a elevada produtividade, mas sim a distribuição equitativa e eficiente dos alimentos para a sociedade. O passado histórico, então, reforça a necessidade de dispor de mecanismos que fiscalizem e ajudem no destino correto e consciente de comidas, evitando também o desperdício, porque o modelo de consumo atual privilegia as camadas sociais mais ricas em detrimento das parcelas marginalizadas. Logo, só com monitoramento a situação pode mudar.
Portanto, sendo a alimentação direito fundamental do homem, a fome deve ser combatida com afinco. Dessa forma, cabe ao Governo Federal e Ministério da Agricultura, em parceira com ONGs, garantirem o fornecimento de gêneros alimentícios à população carente por meio de programas e campanhas de arrecadação e distribuição de mantimentos, além de projetos que melhorem a infraestrutura da agricultura familiar em áreas remotas, como a contrução de cisternas. Assim, pretende-se evitar que o Brasil volte ao mapa da fome, afastando-se do contexto da Idade Média.