Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 02/05/2021

Na Declaração Universal dos Direitos do Homem, instituída em 1949, um dos seus princípios é o exercício da vida humana de forma digna. Porém, certas condições precisam ser garantidas, como, por exemplo, o acesso a uma alimentação que seja capaz de suprir as necessidades fisiológicas das pessoas. Entretanto, no Brasil, a fome se apresentava na forma de um grave problema estrutural, responsável por ceifar várias gerações ao longo da História e que precisava ser superado. Contudo, com as ações afirmativas das últimas duas décadas, nosso país saiu do mapa da fome, mas para continuar trilhando esse caminho, muitas metas devem ser alcançadas ainda.

Primeiramente, a fome é algo recorrente no cotidiano de cetenas de milhares de brasileiros, que tira a possibilidade das pessoas desenvolverem suas potencialidades e, além dos mais, as coloca em situação de vulnerabilidade. Em virtude dessa realidade, elas são exploradas mais facilmente pelos que comandam as estruturas produtivas existentes por aqui, como bem desmonstra a obra “Geografia da Fome”, do pesquisador Josué de Castro. Por isso, combater a fome é também modificar radicalmente as relações laborais que se estabelecem nessa dinâmica.

Embora as políticas de distribuição de renda tenham tirado o Brasil do mapa da fome da FAO, fundação da Organiação das Nações Unidas para alimentação e agricultura, fatores como a falta de trabalho e a queda de renda das famílias representam uma ameça ao acesso a alimentos necessários para a sobrevivência satisfatória das pessoas. E em 2020, segundo dados do IPEA (Instituto Brasiliero de Pesquisas Econômicas Aplicadas), a taxa de desemprego atingiu a marca de 21% e cerca de 100 milhões de pessoas estão vivendo com uma renda média mensal de R$ 512, 00 reias. Ou seja, as condições de vida estão se agravando e podem nos recolocar naquele famigerado mapa da FAO.

Mediante o que foi exposto anteriormente, manter a nossa população fora da rota da fome é respeitar a dignidade da pessoa humana, é permitir que elas desenvolvam suas capacidades e contribuam com o desenvolvimento do nosso país. Em razão disso, o Estado deve subsidiar programas que estimulam a produção e a distribuição de alimentos, sobretudo para as camadas sociais mais carentes, e assentar os pequenos e médios agricultores em terras improdutivas ou devolutas da União. Assim, evitaria inchaço nas grandes cidades com êxodo rural, faria cumprir a função social da terra, prevista na Constituição, e garantiria a segurança alimentar do nosso povo.