Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 04/05/2021
“Eu vejo o futuro repetir o passado”. Esse verso do compositor Cazuza pode ser relacionado com a possível volta do mapa da fome no Brasil, já que esse problema - por ter raízes em épocas passadas - não deve ser visto como algo constitutivo apenas no presente. Diante desse quadro, é importante analisar essa questão no país.
Antes de tudo, nota-se que o Poder Público se mostra negligente ao não garantir um proveito rural. Isso porque existe uma falha no processo de investimento agrícola, uma vez que a distribuição interna de alimentos fica a cargo da agricultura familiar, e esta, muitas vezes, não consegue abastecer todo o país, de modo que, pela lei da oferta e da demanda, o preço dos gêneros alimentícios aumente. À vista disso, a parcela menos abastada da população possui acesso insuficiente à alimentação. Sendo assim, verifica-se que o governo não tem assegurado o bem-estar de todos os cidadãos, demostrando, dessa forma, a ruptura do contrato social teorizado pelo filósofo Jonh Locke.
Além disso, destaca-se que em um contexto de crise econômica, a problemática da fome no Brasil tende a aumentar. Visto que no final de 2019, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 52,5 milhões de pessoas viviam com menos de R$ 420 per capita por mês, que segundo os critérios adotados pelo Banco Mundial, indicam a condição de extrema pobreza. Esse cenário ocasiona, portanto, a perda da fonte de renda de muitas famílias que passam a não conseguir a própria subsistência.
Cabe, afinal, admitir que esse regresso deve ser superado. Portanto, deve-se exigir do Estado que taxem os grandes exportadores de alimentos para que parte da produção fique no Brasil, de forma a complementar a oferta de alimentos advinda da agricultura familiar e impedir a elevação dos preços alimentícios. Ademais, o Poder Público poderia fornecer incentivos fiscais às empresas a fim de evitar grande números de demissões e para que as famílias possam viver de forma digna e humana.