Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 03/05/2021
Na série brasileira 3%, apenas essa pequena porcentagem da população tem acesso a condições privilégiadas, enquanto o resto é submetido à extrema miséria e fome. Fora da ficção, a realidade é um pouco mais assustadora, já que 119 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar no Brasil. Por isso, refletir sobre os caminhos para evitar que o país volte ao mapa de fome é imprescindível, uma vez que a desigualdade socieconômica e a destruição dos meios de subsistência são as principais causas desse problema.
Historicamente, a desigualdade social é um problema enraizado na sociedade brasileira, esse ônus é um retrato do abismo socioeconômico cultivado desde o parto da ainda colônia portuguesa até os dias atuais, que se mantém regular em cor, gênero e região. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, 73,1% das pessoas que passam fome são da região Nordeste, sendo a maioria pretas ou pardas. Em contrapartida, a Constituição de 1988, afirma que o Estado deve garantir os direitos básicos ao ser humano, dentre eles moradia, educação e lazer, no entanto, a realidade é a alta dos preços de alimentos básicos e a grande massa da população não tem poder de compra. Dessarte, algumas políticas públicas são criadas com intuito de amenizar essas pautas, como o Bolsa Família e o Fome Zero, que são alternativas de incentivar a educação e ajudar na questão econômica em ambientes mais carentes, mas são apenas alívios imediatos e não resolvem a questão como um todo.
Outrossim, o Brasil é um país que atua na agricultura extensiva e tem grandes números em exportações, mas reduz cada vez mais o apoio a agricultura familiar, que fornece alimentos não só para o mercado interno, como também alimenta as pequenas famílias produtoras. A exemplo disso, o IBGE aponta que 6,3% do problema da fome no país é na zona rural, pois os cortes no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar são constantes e essas pessoas continuam sendo marginalizadas, ocorrendo migrações para zonas urbanas e aumentando a população de rua. Desse modo, em seu contrato social, John Locke, diz que o Estado deve defender o homem e garantir condições para que ele se desenvolva no meio em que vive, no entanto, tal prática não é realizada no país.
Desta feita, a real necessidade de ações governamentais movidas pelo Estado, juntamente com os Ministérios da Ciaddania, faz-se necessária no direcionamento de verbas para a melhor aplicação em programas públicos para gerar empregos e capacitações. Além disso, o Ministério da Agricultura fornecer subsídios agrícolas e ampliar a demanda de trabalho para o mercado interno da agricultura familiar. Assim, respeitando os direitos humanos e indo de acordo com o proposto na Constituição.