Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 03/05/2021
Segundo consta na Constituição Federal de 1988, é direito do cidadão brasileiro o acesso à alimentação adequada e suficiente. Entretanto, a realidade de uma pequena, mas considerável, parcela populacional é de irrizória segurança alimentar e, muitas vezes, de fome. Portanto, constata-se a importância de mudança social, mediante alteração da visão política, voltada para o capitalismo exarcebado, e social, buscando maior engajamento sociopolítico.
De início, o liberalismo econômico adotado pelo país, apesar de valorizar a economia nacional, secundariza o setor social, potencializando problemas como a fome, por exemplo. Fato é que, não raro, a supervalorização financeira, consequência da visão capitalista contemporânea, no Brasil, representa um desafio para o combate à fome por conta da histórica concentração fundiária. Isso pois, durante a colonização portuguesa, houve uma má distribuição de terras entre os colonos, a qual não foi remediada suficientemente com reformas agrícolas, originando parte das desigualdades atuais. Sendo assim, os latifúndios brasileiros ficam na posse de poucos cidadãos e essa terra, que representa uma chance de conseguir renda e produzir alimento para consumo, torna-se, infelizmente, inacessível, sobretudo aos mais vulneráveis.
Outrossim, a passividade brasileira frente a problemas sociais é um comportamento que negligencia atitudes de combate à fome, como evitar o desperdício de comida, por exemplo. Dessa maneira, o conceito de ¨homem cordial¨, expresso pelo sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra ¨Raízes do Brasil¨, expõe a atitude de passividade do indivíduo em se tratando de situações que não o beneficiará diretamente, reforçando a ideia de descaso com o coletivo em face do individual. Com isso, ao se tratar da fome, um problema público, a participação da parte cordial soberana da sociedade para mitigar essa triste realidade é dispensada, delegando essa tarefa para setores governamentais, os quais não realizam efetivamente seu papel de oferecer bem-estar comum a todos, seja por incompetência profissional ou direcionamento de pouca verba para solucionar o problema.
Ante o exposto, cabe ao poder público evitar a volta do Brasil ao mapa da fome, por meio da realização de uma reforma agrária que favoreça a agricultura familiar, além de promover assistência ao público alvo mais carente, com o direcionamento de maior capital aplicado no Bolsa Família, projeto governamental que auxilia a vida dos mais vulneráveis, de modo que haja um maior apoio e suporte a esse grupo e, consequentemente, o declínio da fome no país. Ademais, é dever da mídia dispertar a população do estado de passividade social, a fim de incentivar a ocorrência de sobrepujantes mobilizações populares contra o progresso da fome no Brasil.