Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 03/05/2021
O filme “O poço” retrata uma plataforma com um banquete que desce do primeiro andar em diante, cujo, em tese, o alimento ali colocado seria suficiente para todos os andares, mas o luxo da primeira classe impossibilita a distribuição justa para os níveis inferiores. Fora da ficção, é válido pontuar a semelhança da realidade com o retratado no filme, uma vez que a ausência de visão coletiva se faz presente no país. A partir desse contexto, é fundamental discutir a força originadora da manutenção da fome, bem como seu reflexo na sociedade, a fim de propor alternativas que, de fato, solucionem.
De início, é pertinente entender que a persistência da fome se dá pela mercantilização de produtos essenciais, tal fato ocorre pois, a sociedade transforma o que é fundamental para o indivíduo em produto, e quando algo é precificado, exclui a maior parte e seleciona quem pode ter acesso, aumentando o abismo social, assim ocorre com alimentação de qualidade. Na obra “Geografia da Fome” de Josué de Castro, a concentração de fome é mapeada no Brasil e concluído segundo ele: “O que falta é a vontade política e social para mobilizar recursos a favor dos que tem fome”. Dessa forma, é fácil visualizar que não se faltam recursos, mas sim mobilização para acabar com essa mazela social.
Convém pontuar, ainda, a repercussão da mercantilização do que é essencial na sociedade, tendo em vista que à medida que a falta de visão coletiva repercute no corpo social, mais pessoas são afetadas negativamente com as consequências desse individualismo, em destaque a população que vive em extrema pobreza e está à margem da sociedade, gerando desnutrição e insegurança alimentar contariando o assegurado pela Constituição, assim refletido no alto índice de fome que revela que 37,5 milhões de pessoas vivem em situação de fome (ONU). Com isso, fica evidente que tal questão provoca efeitos irreversíveis.
Infere-se, portanto, que assegurar a persistência do problema com a fome é um grande desafio no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, deve atuar em favor da população, por meio da criação de programas alimentares que incluam todas as pessoas, enfatizando as que estão à margem de qualquer tipo de acesso da alimentação de qualidade, a fim de que a população excluida do seu direito seja retratada e adote uma segurança alimentar. Além disso, a sociedade, como conjunto de indivíduos que compartilham de valores sociais, deve agir em conjunto e combater a situação precária da fome e desnutrição, por meio da mobilização dos mais abastados, para que as camadas mais necessitadas da sociedade se sintam parte da mesma e goze dos mesmo direitos que todos devem usufruir, uma vez que apenas dessa forma o Brasil não regressará ao mapa da fome.