Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 05/05/2021
Na obra “Quarto de Despejo”, escrita por Carolina Maria de Jesus, a autora retrata o seu cotidiano como moradora da comunidade do Canindé e como a fome, ocasionada pela ausência de recursos financeiros, afetava a ela e aos seus filhos. Apesar da obra ter sido divulgada em 1960, ela ainda é considerada atual na sociedade brasileira, visto que, a realidade vivenciada pela escritora ainda é o cotidiano de diversos moradores das regiões periféricas e rurais, que não possuem condições econômicas suficientes. Diante disso, faz-se importante analisar como a falta de programas sociais que combatem a fome afeta isto e como a produção agrária voltada para o mercado externo interfere nisto.
Primordialmente, faz-se válido ressaltar que, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estátistica (IBGE) de 2017 e 2018, a insegurança alimentar grave voltou a crescer no Brasil, após recuar por mais de uma década, chegando a atingir 5% da população. A partir disso, nota-se que este crescimento está relacionado com a redução de programas sociais que previnem a fome, tendo em vista que os atingidos por essa problemática são os que não dispõem de recursos econômicos. Por meio disso, percebe-se que este fato ocorre devido a alta desigualdade social e ao aumento do desemprego, que promovem a instabilidade financeira para famílias de classes sociais mais baixas. Através disso, infere-se que o aumento de investimentos em programas sociais, tais como o Bolsa Família, é necessário para que o Governo preste auxílio a essa população. A fim de garantir o direito a alimentação humana que é contemplado na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Outrossim, nota-se que, segundo a ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos),o Brasil exportou comida para mais de 180 países, caracterizando-se como o segundo exportador mundial de alimentos industrializados em volume. Apesar da grande produção de alimentos, parte da sociedade brasileira ainda convive com a falta de segurança alimentar. Visto que, 70% dos alimentos consumidos pela população vem da agricultura familiar, como afirma o IBGE, que é marcada pela diversidade de alimentos e a presença de pequenos empreendedores. Ainda que o fornecimento do mercado interno seja garantido pelos pequenos empreendedores, a política nacional não promove grandes investimentos na área, visto que, a maioria dos lucros são obtidos pelo agronegócio. Fato que promove o encarecimento dos alimentos e impossibilita o acesso de parte da população a alimentação.
Portanto, faz-se necessário que o Governo Federal amplie os investimentos aos programas sociais, através da criação de emendas constitucionais,para que a população menos favorecida tenha acesso à alimentação. Além disso, é importante que o Ministério da Economia promova o investimento na agricultura familiar, através da distribuição de recursos, para garantir a média do valor dos alimentos.