Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 03/05/2021
De acordo com o proposto pelo artigo sexto da constituição brasileira, a alimentação é um direito do cidadão, fato que não se sustenta quando se observa a atual situação do país. Dessa forma, o cenário da insegurança alimentar cada vez mais tem se tornado a realidade de uma boa parcela da população e o estado pandêmico mundial o agravou ainda mais. Portanto, medidas como a diminuição do desperdício dos alimentos e o investimento em programas de apoio à agricultura familiar são necessários para que o Brasil não retorne ao mapa da fome, criado pela Organização das Nações Unidas.
Em primeira análise, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o Brasil está na lista dos 10 países que mais desperdiçam comida no mundo, cerca de 30% do que é produzido para consumo é descartado. De maneira análoga, diariamente em restaurantes e residências são descartados alimentos em grande volume, principalmente pelo preparo em excesso, evidenciando assim o dado exposto pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o qual mostra que aproximadamente 41 mil toneladas de alimentos vão parar no lixo por dia. Portanto, são necessárias campanhas para a conscientização da população e incentivo à doações de alimentos a comunidades carentes, assim como a criação de projetos como o “Se liga no desperdício” que surgiu em São Paulo, na edição 5 da Fundação Cargill, para combater o desperdício.
Ademais, um estudo realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), deixa claro que os índices de fome são maiores na zona rural que na zona urbana, os quais alcançaram 12% e 8,5%, respectivamente. Além disso, os que moram no campo, em sua maioria, não possuem alto grau de escolaridade e consequentemente emprego, apenas cultivam para sua própria subsistência. Dessa forma, é necessária a retomada do Programa de Apoio à Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), para que essas famílias possam gerar renda e ter a sua alimentação assegurada, assim como, novos programas de igual finalidade e um Ministério que dê a devida atenção a esses agricultores.
Depreende-se, portanto, que para sanar tais problemas é necessário tomar algumas medidas. Dessa forma, o governo deve promover campanhas de conscientização da população contra o desperdício de alimentos, através de propagandas em rede aberta de televisão e redes sociais, para atingir o máximo de pessoas possíveis. Além disso, o mesmo deve estabelecer políticas de incentivo à Agricultura Familiar, através de incentivos fiscais e doação de alimentos. Apenas assim, o Brasil poderá se manter fora do mapa da fome e assegurar o proposto pela Constituição Federal.