Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 03/05/2021
Segundo a Associação Brasileira de Indústria de Alimentos, o Brasil alimenta cerca de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo. Entretanto, mesmo com essa produção elevada, o país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, possui cerca de 10 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave. Esse cenário, portanto, alerta acerca do risco do Brasil retornar ao mapa da fome, que deve ser evitado por meio de uma reforma agrária e da criação de estoque de alimentos.
Mormente, deve-se ressaltar que o Brasil, apesar de ser um país que tem a agropecuária como uma das principais bases de sua economia, não possui uma distribuição igualitária de terras. Como prova desse fato, pode-se citar o estudo realizado pela Organização Não Governamental Oxfam, que concluiu que os latifúndios, mesmo representando menos de 1% das propriedades agrícolas brasileiras, ocupa quase 50% da zona rural no país. Além disso, essa informação torna-se ainda mais grave quando analisa-se que os latifúndios são caracterizados, principalmente, pela monocultura e exportação, contribuindo de forma pouco significativa para a subsistência nacional. Desse modo, é essencial que haja uma reforma agrária para que as terras sejam distribuídas de forma mais igualitária, assegurando a alimentação de mais brasileiros e fortalecendo o comércio interno do país.
Outrossim, faz-se necessária a compreensão de que, muitas vezes, os alimentos se encontram em um preço pouco acessível para a população, o que dificulta o seu consumo. De forma sucinta, pode-se afirmar que essa variação de preços é explicada pela Lei da Oferta e Demanda, lei econômica idealizada pelo filósofo Adam Smith que prega que o preço de um produto depende da sua procura no mercado e da sua abundância. Sob tal ótica, entende-se que, como alimentos são produtos considerados essenciais, sua procura é maior, o que aumenta o seu custo. Entretanto, para que essa realidade seja combatida, pode-se viabilizar a criação de grandes estoques de alimentos, que fariam com que o preço elevado em decorrência da procura pelos produtos fosse mitigado pela reposição rápida no mercado, aumentando sua oferta e, consequentemente, diminuindo seu valor.
Portanto, entende-se que, para o Brasil não voltar ao mapa da fome, é necessário que uma maior igualdade na distribuição de terras e a viabilização da criação de estoques de alimentos. Para que isso ocorra, é essencial que o Congresso Nacional, órgão que representa o poder legislativo, mitigue esse problema, por meio da aprovação de uma reforma agrária, a fim de fomentar os minifúndios. Além disso, é imprescindível que o Governo Federal, por via do Ministério da Economia, incentive o estoque de alimentos, por intermédio do fornecimento de subsídios para a criação de armazéns, a fim de regular seu preço. Assim, o país correrá menos riscos de retornar a um cenário tão drástico.