Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 03/05/2021
No livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a família de Fabiano caminha pela seca, comendo pouco e sem conseguir pensar no que teriam para o jantar. O cenário é de desesperança e os filhos choram por estarem com fome. Fora dos limites literários e da caatinga, muitas outras famílias brasileiras vivem na mesma situação de desespero e sofrimento. Em 2014, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil saiu do Mapa da Fome, conseguindo deixar seu índice de fome abaixo de 5%. Porém, para que o país não volte para o quadro anterior, medidas como campanhas de apoio, investimento em programas de auxílio e educação precisam ser tomadas.
A Constituição Federal, em seu artigo 6º, visa que a alimentação é um direito social. Porém, é evidente que não chega a todos igualitariamente. Embora a porcentagem de fome no país seja baixa, essa proporção aumenta quando é avaliado os domicílios com insegurança alimentar, que em meio a crises nacionais, só aumenta. Segundo dados da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), esse percentual chegou e 34% em 2020. O que mostra que, muitas famílias tem sido acometidas com uma visão comprometida de seu futuro em relação à sua alimentação. Por isso, é de grande importância a valorização de auxílios governamentais para que esses números não aumentem ainda mais.
Ainda, para que um país continue se desenvolvendo, é necessário que se invista na educação. Dessa forma não somente as famílias irão sair desse quadro, como também poderão garantir um futuro positivo. Porém, ainda existem crianças que abdicam desse direito para conseguir renda para sua própria família. Portanto, é preciso de apoio aos responsáveis para que a escolaridade dos filhos seja assegurada. Isso pode acontecer através de campanhas como o Bolsa-Família (programa governamental que visa garantir o direito à alimentação e acesso à saúde e educação) deveriam ser mais presentes, e revistos. O valor que é de 40 reais e aumenta quando é direcionado à pessoas em extrema pobreza deveria aumentar, tendo em vista que esse valor não supre todas as necessidades básicas de uma família que sustenta uma criança ou um adolescente.
Com isso, é necessário que o Estado atue efetivamente em campanhas que visem trazer essa estabilidade alimentar para os domicílios. Programas como bolsas, auxílios alimentares, trariam uma renda mínima e necessária para que toda a alimentação (ou boa parte dela) fosse garantida dentro das casas. Assim, boa parte dos indivíduos que estão em situação de fome ou de instabilidade alimentar sairiam desse quadro e teriam seu direito do artigo 6° da Constituição Federal garantido. Dessa forma, também, muitas crianças poderiam se voltar para sua educação, que é um direito e dever delas.