Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 03/05/2021

O artigo 6º da Constituição Federal de 1988 garante que um dos direitos do ser humano é a alimentação, todavia, o desejo constitucional nem sempre é visto na realidade crua dos dias. O Brasil atual carrega em sua história diversos atos para tentar superar a fome, como por exemplo a campanha Fome Zero e Bolsa Família, ambas promovidas pelo Governo Federal. Todavia, infelizmente, o trabalho para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome é um exercício diário, pois demanda criar meios para melhorar a igualdade de acesso a alimentação, independente de região, e ainda a atenção aos outrora esquecidos e invisibilizados dentro da sociedade.

Deve-se observar, de início, que o tema da fome não é novo. O escritor nordestino Ariano Suassuna ao escrever a peça “O alto da compadecida”, com muita leveza, trouxe a história de dois personagens, do interior do nordeste, que sofrem com a fome e necessitam todos os dias utilizar da inteligência para garantir algo para se alimentar, enquanto em uma família mais rica o cão comia todos os dias alimento melhor que os homens. Assim também é hoje com algumas famílias, que usam de fontes alimentares como farinha e água para preparar o pirão e ter algo a dar para os familiares comerem, cientes que em algumas outras casas, em razão de melhor acesso a renda, existe melhor capacidade de alimentação. O financeiro é um ponto crítico para o Brasil caminhar em sentido ou contrário ao mapa da fome.

Em continuidade, ainda dentro da arte, a fome também é vista com tom crítico, como exposto no poema “O bixo” de Manuel Bandeira, a fome torna o homem animalesco. A população que vive nas ruas historicamente é abandonada, a situação torna-se ainda mais crítica quando se observa que entre 2012 e março de 2020 o número de pessoas em situação de rua no Brasil cresceu 140%, conforme verificado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - fundação de pesquisa vinculada ao Ministério da Economia. Este crescimento torna-se ainda mais crítico nos tempos atuais, devido a pandemia do Coronavírus houve uma crescente no desemprego e o aumento da inflação em razão das políticas públicas de injeção de dinheiro nas classes mais baixas, aumentando o consumo.

O enfrentamento da fome é multiportas, portanto demanda a atenção à diversos grupos. Com isso, uma das formas de correção da desigualdade de acesso à alimentação é o governo promover uma revisão salarial que compatibilize o salário mínimo com o valor da cesta básica, além disso, deve ainda o governo federal reduzir impostos sobre os alimentos da cesta básica, tornando-a mais acessível a todos. Não basta-se isso, os governadores e prefeitos deve promover campanhas para geração de oportunidades de emprego para os moradores de rua, permitindo o acesso à renda e assim, condições financeiras para saírem da linha de vulnerabilidade extrema, afastando-se da imagem do “o bixo”.