Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 04/05/2021

A Organização das Nações Unidas (ONU) retirou o Brasil do mapa da fome no ano de 2014. Entretando, apenas 7 anos depois da conquista, o país está mais perto do que nunca de voltar a essa situação. Assim, é necessário que haja uma melhoria na distribuição alimentícia do país e uma transição para um modelo de alimentação mais sustentável.

Em primeira análise, vale destacar a má distribuição de alimentos no Brasil, que, segundo o Instituto Internacional de Desenvolvimento e Sustentatibilidade (IISD) é mais do que suficiente para toda a sua população. Essa realidade está atrelada não só à desigualdade social, que torna pobreza a principal responsável pelo cenário de insegurança alimentar do país, mas também à excessiva exportação de “comoddities”, problemas nos quais reside uma causa fundamentalmente política e totalmente evitável. Isso ocorre porque a agricultura familiar, responsável pela alimentação da maioria dos brasileiros, vem perdendo espaço para o agronegócio, que além de oligárquico, tem como primazia a exportação de seus produtos. Dessa maneira, torna-se essencial uma iniciativa pública e privada para tornar a agricultura interna mais viável e diminuir o superávit de exportação simultaneamente à pobreza.

Além disso, a indústria da carne, segundo o documentário “Cowspiracy”, gasta mais recursos na criação de gado para abate do que gastaria para alimentar diretamente os seres humanos. Tal fato evidencia a necessidade da redução do consumo de carne e derivados de origem animal, uma vez que uma agricultura direcionada para o consumo humano produziria um volume maior de produtos e nutrientes do que aquela destinada à produção de carne. Desse modo, uma reeducação alimentar é inprescindível à população brasileria, que alimenta, segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 210 milhões de cabeças de gado bovino.

Diante do cenário de fome no Brasil, é essencial que o Estado, como regulador do desenvolvimento nacional, estimule a agricultura familiar interna por meio de redução de impostos às impresas que as adotarem em seus negócios, visando além de diminuir a pobreza no meio rural, diminuir o déficit de “comoddities” no país causado pela exportação. Além disso, as instituições de ensino devem explicar a importância da redução do consumo de carne para o bem estar do coletivo. Isso deve acontecer por meio de palestras e seminários com nutricionistas e pesquisadores, que vão mostrar o desperdício do volume de comida causado por esse modo de consumo para que o país torne-se menos dependente da pecuária e possa alimentar com maior eficácia sua população.