Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 04/05/2021

Assim como foi mostrado em “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, a fome é uma realidade cruel que está intrinsecamente relacionada com a pobreza. O fato de Fabiano e sua família, personagens do livro, moverem suas vidas em busca de melhores condições e, pelo menos, do mínimo para sobreviver é um cenário definido por muitas famílias brasileiras. A fome, como uma personagem ainda atuante, focaliza uma necessidade de que seja interrompida, primeiro a partir do rompimento de um ideário cientificista e segundo pela atuação pública.

A priori, define-se como ferramenta fundamental para a concretização de um pensamento de luta contra a desnutrição a quebra com a mentalidade de que o progresso estaria relacionado exclusivamente com o avanço tecnológico. Desde o Iluminismo, movimento de elucidações de pensamentos, formou-se a concepção de que, a partir de então, todos os desenvolvimentos sociais seriam ocasionados pela ciência. Entretanto, houve o aperfeiçoamento cada vez maior dessas tecnologias e a fome mundial não se cessou. Diante disso, demonstra-se como essa concepção pode barrar o processo de fim da subalimentação, já que focaliza em uma resolução ineficiente perante a que poderia estar sendo exercida.

Além disso, a concretização de políticas públicas é uma das principais resoluções para a fome no Brasil e no Mundo, segundo Josué de Castro. De acordo com tal intérprete, a escassez de alimentos e a superlotação não são explicações para a persistência da subalimentação. O que, na verdade, assumiria esse papel de mantenedora desse cenário seria a maneira de como o alimento, que é largamente produzido, é distribuído. A partir disso, surge a atuação do Estado em melhor distribuir o que está sendo produzido. Tal ação pôde ser observada quando o Brasil, em 2014, saiu do Mapa da Fome devido a constantes investimentos, por parte do governo, na valorização do salário mínimo e em programas de transferência de renda, por exemplo.  Essa exemplificação demosntrou o papel transformador e fundamental da interferência pública como desestruturadora da fome.

Em síntese, define-se, como caráter emergencial, a necessidade de que se concretize plenamente em sociedade tais caminhos citados que viabilizam o fim da desnutrição no Brasil, evitando, assim, que ocorra o retorno de tal população para o Mapa da Fome. Para isso, estruturas governamentais, tais como o Ministério da Economia, devem realizar cada vez mais investimentos em setores que viabilizem melhores condições de vida para aqueles que se localizam na zona de pobreza, o Bolsa Família, por exemplo. Assim, mais famílias vislumbrarão situações de vida mais favoráveis para a obtenção do mínimo à sobrevivência, semelhante ao que deveria ser oferecido para Fabiano e sua família.