Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 10/06/2021

O quadro ‘’ Os Retirantes ‘’, de Cândido Portinari, foi feito na segunda metade do século XX, quando o artista vivia uma fase de observações em retrato sobre a miséria e fome no Brasil. Em sua pintura, observa-se, a partir de pinceladas fortes, a angústia de indivíduos nordestinos na representação de imigrantes desamparados. Assim como a obra de Portinari, milhões de brasileiros encontram-se em estado de indigência também sofrem por serem vítimas de uma sociedade excludente. Com base nesse viés, é imprescindível avaliar o que motiva a adefagia, bem como os efeitos dessa aflição na conjuntura social. Em uma primeira observação, é notável analisar que as dificuldades em questão da carência alimentícia enfrentada na esfera social brasileiro, está diretamente agregado ao acesso desigual aos alimentos de boa qualidade nutricional. A partir do pensamento do sociólogo Gilberto Freyre , para quem o problema da fome é fruto da má distribuição das riquezas no país, percebe-se que as desigualdades socioeconômicas continuam reverberando na saúde da população. Isso persiste, porque a política do agronegócio visa à exportação da produção agrícola, enquanto o mercado interno é abastecido pela agricultura familiar, que possui pouca modernização e baixa produtividade. Assim, os alimentos necessários para uma dieta saudável são encarecidos, tornando-se pouco acessíveis para a população de baixa renda. Prova disso está na histórica relação do brasileiro com a alimentação retratada até na ficção, no século XX, por João Cabral Neto, quando denuncia a condição de Severino, um brasileiro vulnerável à fome por não possuir condições financeiras. Com efeito, outrossim, nota-se, que o crescimento da fome em países subdesenvolvidos, como o Brasil, está relacionado à omissões governamentais. Nessa perspectiva, com base nas concepções do ativista do combate à miséria Josué de Castro ” O que falta é vontade política para mobilizar recursos a favor dos que têm fome’’, constata-se que a ausência do princípio do Estado disponibilizar suporte aos mais desprovidos de recursos para sanar a fome é um fortalecedor para o aumento do entrave. Ao seguir essa linha de pensamento, distingue-se que o Governo falha em negar benevolência às pessoas que sofrem de mazelas em decorrência do seu poder aquisitivo, como a fome. Assim, é visto um país sem desenvolvimento social com a justificativa de ser emergente e de possuir, como qualidade única, o potencial turístico, e não de progresso societário. Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para reverter o empecilho. Logo, urge que o Estado, por envio de recursos ao Ministério da Cidadania, órgão responsável pelo desenvolvimento social, promova a construção de casas de apoio especializadas em suportar e tratar de pessoas com problemas nutricionais e a capacitação de profissionais para atuarem não apenas nessas instituições de ajuda, mas em locais periféricos também, a fim de distribuir cestas básicas que irá sanar o problema nutricional familiar. Enfim, a partir dessas ações, problemas exprimidos na tela ‘’Os retirantes’’ de Cândido Portinari não irão passar apenas de uma obra artística.