Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 17/06/2021

Na obra Pré-Modernista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o Major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Entretanto, ao observar os caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome, percebe-se que esses obstáculos ainda não foram superados, já que a negligência governamental e a má formação socioeducacional potencializam esse entrave.

Sob esse viés, deve-se ressaltar a passividade estatal com medidas suficientemente efetivas para evitar que o Brasil regresse ao mapa da fome. Nesse sentido, como afirmou Gilberto Dimestein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Comprova-se isso na escassez de políticas públicas eficazes voltadas para aplicação do Artigo 6 da Constituição Federal, que garante, entre tantos direitos, a isonomia. Isso é perceptível seja pela falha em programas sociais que visem uma melhor distribuição de renda, seja pela ausência na criação de empregos, principalmente para indivíduos em situação de vulnerabilidade. Assim, infere-se que essa inaceitável questão de fragilidade do Estado configura como um irrespeito colossal e, portanto, deve ser modificada em todo território.

Ademais, é igualmente preciso pontuar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para o revese no enfrentamento da fome no país hodierno. À vista disso, para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em despertar no educando a capacidade de transformar o mundo. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino verde-amarela, uma vez que são conteudistas, não contribuem para estimular a condição sine qua non de solidariedade dos jovens e, consequentemente, não formam indivíduos da forma como Fareire idealiza.

Portanto, medidas são necessárias para minimizar essa situação. Para isso, o Poder Executivo, instituição promotora do bem-estar social, deve apresentar mecanismos para evitar que o Brasil retorne ao mapa da fome, por meio de investimentos em programas sociais, como ONGS, os quais visem geração de emprego, com a finalidade de garantir oportunidade de desenvolvimento e renda para indivíduos em vulnerabilidade. Outrossim, o governo deve investir em educandários, implementando a disciplina “solidariedade mecânica”, com o objetivo de instruir os discentes à prática da cooperação coletiva para com o corpo social. Assim, tornar-se-á possivel, o Brasil alcançar o patamar de nação desenvolvida, como propôs o Major Quaresma.