Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 04/08/2021
Em Outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante o acesso à alimentação de qualidade e permanente. Entretanto, o descaso com a minoria em situação de fome e extrema pobreza impede que os brasileiros - de maneira igualitária - usufruam desse direito constitucional. Com efeito, a desconstrução de uma sociedade presa aos malefícios do capitalismo, bem como da negligência estatal são iniciativas capazes de fazer com que a alimentação seja tratada com a devida importância.
Nessa perspectiva, a cultura de desperdício enraizada na sociedade contribui com o aumento da fome. O documentário “Ilha da Flores”, de Jorge Furtado, denuncia um problema comum na coletividade brasileira: o consumo exarcebado, no qual os moradores da ilha se alimentam dos restos de comida considerados impróprios para os porcos. Todavia, é notável a proximidade dos quase 5% de habitantes em situação de má-nutrição com o abandono na ilha, já que é cada vez maior a tendência de gastos exagerados e desperdícios ao mesmo tempo que a menoridade apresenta quadro alarmante de insegurança alimentar. Assim, enquanto consumismo for a regra, igauldade social será a exceção.
De outra parte, a ausência de políticas públicas no cenário nutricional diminui a disponibilidade alimentar. Nesse viés, o poema “O Bicho”, de Manuel Bandeira, retrata o abismo social do Brasil imerso na miséria na década de quarenta. Ao se fazer paridade com a situação atual, o aumento de famílias sem quantidades suficientes de alimentos atrelado a ineficiência do governo retoma o caos deficitário de 1940. Dessa forma, não é razoável que a fome permaneça em um país que almeja o desenvolvimento.
Há de se combater, portanto, os males que favorecem o retorno do país ao mapa da fome. Em primeiro, a própria sociedade é responsável por direcionar as suas atitudes - comumente individualizadas - para o bem comum, por meio da criação de projetos sociais que eduquem a respeito do desperdício, com palestras que ensinem a economizar, armazenar e reaproveitar alimentos dentro de casa, com a finalidade de minorar as toneladas de alimentos que vão para o lixo e influenciar a mudança de atitudes consumistas. Ademais, o Estado - como maior pilar de soberania e promoção social - deve investir na melhoria da segurança alimentar para todos os cidadãos, por intermédio de auxílio monetário e distribuição equitativa de alimentos. Afinal, só assim o Brasil conseguirá manter distância da ignomínia presente na Ilha das Flores.