Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 15/03/2022

Nos últimos 2 anos em pandemia, e em outras crises como a Seca de 1915 e a Grande Seca do Nordeste, em 1879, algo marcante foi a intensificação da fome. Esses momentos evidenciam falhas e deficiências nas políticas públicas destinadas à distribuição de alimentos e auxílios financeiros para a população mais carente se sustentar. Assim, a fome se torna um fantasma constante sobre várias regiões do país, demandando soluções e incentivos diretos do Estado para resolvê-la.

Visto isso, observa-se que esse fenômeno também é fruto da má distribuição de renda no Brasil. Josué de Castro, geógrafo e ativista social brasileiro de renome, aponta precisamente para esse fato, negando teorias que atribuem o problemas a superpopulação. Pode-se pensar nessa questão, ao analisar o cultivo e produção de alimentos no Brasil e o quanto dessa produção é voltada para o mercado interno. De acordo com a EMBRAPA e a FARSUL, é produzido alimento suficiente para 1.6 bilhões de pessoas e, mesmo assim, milhões passam fome.

Outrossim, é possível pensar sob a perspectiva da agricultura familiar. Principal responsável pela alimentação de brasileiros e brasileiras, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, essa modalidade atenua o problema em 2 vias: maior produção e maior poder de compra das famílias. Apesar de crescente, o investimento governamental ainda não é suficiente para que essa modalidade predomine sobre a monocultura de exportação de commodities praticada por grandes empresas.

Portanto, constata-se que, a fim de suprir as demandas de produção de alimentos e com preços proporcionais à condição da população, além de poder chegar aos grupos sem renda alguma, como moradores de rua, o Estado, em especial o Ministério da Agricultura e as respectivas secretarias de cada distrito, deve investir em ciência voltada à técnica agrícola, na agricultura familiar, e em auxílios financeiros correlatos. Isso deve ser feito por meio de políticas públicas, freando uma exploração desumana da fertilidade das terras do país, com o Brasil evitando voltar para o mapa da fome.