Caminhos para incentivar a prática de leitura entre jovens
Enviada em 05/05/2024
O conceito “Cidadanias Mutiladas”, do geógrafo brasileiro Milton Santos, explicita que a democracia só é efetiva à medida que atinge a totalidade do corpo civil. No entanto, o que se observa, na conjuntura brasileira, é o oposto desse ideal democrático, uma vez que os desafios para a criação do hábito da leitura por jovens distanciam a nação dos direitos constitucionalmente garantidos. Nesse viés, torna-se crucial analisar a inexistência de incentivo midiático e a omissão estatal.
Diante desse cenário, a ausência de estímulo das mídias sociais potencializa o afastamento da leitura frente aos brasileiros. A respeito disso, Arthur Schopenhauer — expoente filósofo alemão — defendia que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam o seu entendimento acerca do mundo. Analogamente, a situação do país verde-amarelo se relaciona com o pensamento do estudioso , visto que as redes sociais têm um formato que privilegia a imediatidade, o que intensifica a preferência por conteúdos superficiais em detrimento de livros. Consequentemente, há a construção de uma cultura supérflua, a qual proporciona o desencorajamento da prática da leitura por substancial parcela juvenil.
Ademais, é imperativo pontuar a ineficácia do Poder Público como promotor do problema. Nesse sentido, a Constituição Cidada — promulgada em 1988 — prevê, em seu artigo 6°, o direito à educação como inerente a todo cidadão. Todavia, no Brasil, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, dado que a carência de programas de incentivo à leitura nas escolas distancia os jovens do privilégio previsto pela Carta Magna. Desse modo, enquanto a inoperância estatal se mantiver, a República Federativa será obrigada a conviver com o desinteresse pela leitura e a regressão do número de leitores no solo brasileiro.
Portanto, são necesárias medidas que venham mitigar o estorvo. Para isso, o Ministério da Educação, entidade responsável pelas diretrizes educacionais, deve, por meio de verbas, financiar a realização de projetos pedagógicos, como oficinas de leitura. Tal iniciativa terá a finalidade de romper a inércia do Estado, bem como reverter a indiferença populacional, já que o aprendizado é capaz de ultrapassar os muros das instituições escolares. Com isso, o ideal de Santos será efetivado.