Caminhos para incentivar a prática de leitura entre jovens
Enviada em 10/06/2024
O quadro “O Grito”, do pintor Edvard Munch, mostra o sofrimento no semblante de um personagem envolvo por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que o sentimento de milhares de educadores, em relação ao impacto da falta de leitura entre os jovens, é semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre os quais se destacam as mudanças nas dinâmicas familiares e a falta de políticas públicas.
A princípio, é imperioso apontar o núcleo familiar como o primeiro contato da criança com a leitura. Nesse contexto, sabe-se que pais leitores tendem a formar filhos apreciadores de livros. Todavia, de acordo com o escritor Rafael Guimaraens, 44% da população não têm o hábito de leitura e 30% nunca comprou um livro. Logo, é esperado que tais estatísticas reflitam os cenários de muitos grupos familiares, demonstrados nos baixos desempenhos dos estudantes durante os anos escolares.
Ademais, deve-se ressaltar a falha do Estado no fomento à leitura. Nesse sentido, a omissão estatal tem resultado em deficiências no desenvolvimento da linguagem criativa e habilidades cognitivas, por exemplo, que são fundamentais para a inserção no mercado de trabalho. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o governo não cumpre a sua função de garantir que os cidadãos tenham “conditio sine qua non” para o exercício da cidadania.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se alterar tal cenário. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio das secretarias estaduais e municipais, elabore uma política de criação de ambientes de leituras nas escolas e nas bibliotecas, disponibilizando espaços acolhedores e oferecendo uma diversidade de livros, de diferentes gêneros, temas e níveis de dificuldade. Ademais, deve-se incentivar os empréstimos e as devoluções com premiações daqueles que leem com mais assiduidade, assim como permitir que os familiares também tenham acesso aos títulos. Espera-se, assim, que os sofrimentos retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.