Caminhos para incentivar a prática de leitura entre jovens
Enviada em 02/11/2024
No filme “Matilda”, a cena da menina empurrando um carrinho cheio de livros se tornou uma imagem clássica. Apaixonada pelos estudos e sem apoio da família, Matilda tenta, a qualquer custo, ir atrás do conhecimento mergulhando no univer-so da leitura. Infelizmente, a realidade atual dos jovens brasileiros não segue por esse caminho — o interesse pelos livros é minimo, e o analfabetismo funcional de-corrente da falta de prática de leitura é cada vez maior. Isso se deve, em parte, ao uso excessivo das redes sociais e à falta de incentivo familiar.
A princípio, cabe ressaltar que a geração Alpha, também conhecida como a dos “nativos digitais”, tem contato com a tecnologia e as mídias sociais em idade muito precoce. Como fenômeno conhecido como “tiktokização” tem como uma de suas características a fragmentação da atenção, essas crianças crescem incapazes de se interessar por um livro estático, de papel, que para elas se assemelha ao tédio.
O problema anterior está diretamente ligado ao outro, que é a falta de incentivo à leitura. O Brasil tem um longo histórico de analfabetismo entre adultos, que só recentemente foi amenizado. Porém, cerca de 16 milhões de brasileiros adultos a- inda são anafabetos, e esse número cresce para assustadores 38 milhões quando se fala em analfabetismo funcional, de acordo com o IBGE. Esse histórico faz com que a leitura não seja um habito tradicional, principalmente nas famílias de baixa renda, que são as mais afetadas pelo analfabetismo. Soma-se ainda a esse proble-ma o alto custo dos livros, e a fata de tempo de quem precisa, muito cedo, se dedi-car ao trabalho para contribuir com o sustento da família.
Portanto, unindo esses dois fatores, fica evidente que, para o incentivo da práti-ca de leitura entre os jovens, são necessárias medidas que vão além da propagan-da: o melhor caminho para solucionar a questão está dentro das escolas. Cabe ao Ministério da Educação, responsável pela regulação do ensino no Brasil, inserir, na Base Nacional Curricular, a disciplina de Leitura Orientada, como obrigatória em to-dos os níveis da Educação Básica. Assim, as crianças e adolescentes terão contato com os livros desde cedo, e aprenderão que, como afirmou José Saramago, “a leitu-ra é, provavelmente, uma outra maneira de estar em um lugar”.