Caminhos para incentivar a reciclagem no Brasil
Enviada em 06/08/2024
Em sua obra “Avenida Brasil", a escritora Glória Peres descreve a vida de pessoas que moram em um lixão, as quais tem papel fundamental na coleta e reciclagem, mas paradoxalmente são marginalizadas por isso. Ao transpor a novela, percebe-se que a obra exemplifica a realidade, uma vez que a reciclagem é desvalorizada socialmente no território nacional. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e a desigualdade social impulsionam tal problemática.
Diante desse cenário, nota-se a inoperância governamental como fator agravante no cenário da reciclagem no Brasil. De acordo com o jornal Poder360, em 2019, menos de 2% do lixo foi reciclado no país. Assim, no contexto hodierno, a passividade do Estado distancia a população do direito a um ambiente saudável, à medida que a falta de política eficaz de reciclagem leva ao aumento de lixões e desperdício de materiais. Dessa forma, o problema perdurará e o direito fundamental ao ambiente limpo continuará a não ser uma realidade para a sociedade.
Ressalta-se, ademais, que a desigualdade social é potencializada nesse ambiente. Nesse viés, segundo a ONU, no mundo, mais de 100 milhões de pessoas vivem em lixões pelo mundo. Diante de tal exposto, percebe-se milhões de pessoas estão à margem da sociedade, e como falta de alternativa vão morar nesses locais. Em decorrência disso, tal situação leva a riscos de infecções e doenças para esses indivíduos, muito embora eles façam um papel fundamental de coleta e reaproveitamento de materiais. Dessa forma, é imprescindível combater essa exclusão social, visto que impulsiona o problema.
Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Portanto, cabe ao Estado - em sua função de promotor do bem-estar social – criar políticas efetivas de reciclagem de lixo direcionada a sociedade, com centro de emprego para quem cata resíduos, também alertar sobre formas de contribuir com a reciclagem, mediante campanhas, com a finalidade de majorar o reaproveitamento e a coleta. Assim, poder-se-á minimizar tal desvalorização frente à questão.