Caminhos para incentivar a reciclagem no Brasil
Enviada em 02/09/2024
Florence Nightingale, precursora da existência da enfermagem, defende que um ambiente limpo é capaz de promover a saúde. Entretanto, apesar de tal teoria vital, o Brasil permanece distante dessa recomendação, já que o acúmulo de resíduos sólidos no território ocasiona diversas enfermidades. Assim, nota-se a relevância da reciclagem como um ato de cidadania, pois essa ação gerencia o lixo para assegurar o bem-estar coletivo. Contudo, tal manejo permanece invisível para a sociedade, tanto pela má influência familiar quanto pela base educacional lacunar.
Sob tal ótica, a terceirização da responsabilidade pelo resíduo gerado é um problema que dificulta a implementação da reciclagem. Nesse sentido, urge perceber como grande parte das famílias contribuem para a continuidade de tal chaga. A esse respeito, Talcott Parsons afirma que a parentela modela a mentalidade de um indivíduo. Desse modo, a omissão quanto à destinação dos descartes é um problema de origem geracional, visto que o hábito dos pais de delegar a separação do lixo para a rede de coleta é naturalizado pela criança, que quando adulta, reproduzirá o mesmo comportamento pelo modo como foi criada, dificultando o ato cívico de reciclar. Logo, é preciso ressignificar tal visão cultural.
Além disso, a inação escolar também é um desafio para a formação de uma sociedade mais instruída sobre a importância dessa coleta seletiva. Nesse contexto, Martin Luther King já defendia que a educação é uma forma de transformar a realidade social. Contudo, grande parte das instituições educacionais brasileiras falham com esse ideal, já que não estimulam os alunos em atividades de gerenciamento dos resíduos sólidos, como a catação e a separação desses materiais. Assim, formam-se indivíduos alheios sobre a notoriedade dessa ação coletiva para facilitar a reciclagem e promover a saúde da comunidade.
Portanto, são necessárias medidas para que a sociedade reconheça sua participação nesse processo transformador. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável por regular o ensino do país, difundir tal senso comunitário, por meio da criação de uma oficina de reciclagem nas escolas, com o fito de envolver toda a comunidade escolar para resgatar o ideal de Florence.