Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/04/2018

O Estoicismo, corrente filosófica do período Helenista, defende que os sentimentos interiores mal resolvidos impossibilitam a ataraxia, isto é, a paz de espírito. Sob essa ótica, percebe-se que os jovens tem, cada vez mais, sufocado afecções negativas e desenvolvido um discurso autodestrutivo. Nesse sentido, seja devido a fatores sociais, seja à ausência de mecanismos assistivos, é essencial que o Estado e o Terceiro Setor atuem de modo a impedir tal impasse.

Mormente, é evidente que a apreensão cotidiana corrobora para a problemática. Isso porque, diante de situações de crise econômica ou por razões sociáveis, muitos adolescentes manifestam distúrbios mentais e se veem obrigados a anular sua aflição, até mesmo com a própria vida. Além disso, embora sinalizem tal inquietude, não são auxiliados e, por consequência, procuram grupos os quais incitam a prática suicida. Com isso, em virtude do mito sobre o estímulo à prática, o debate e a divulgação dos casos sobre a temática tornaram-se imperceptíveis, de forma a construir um tabu e atenuar a prevenção. Por exemplo, consoante o site BBC Brasil, o suicídio é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

Ademais, nota-se ainda que a negligência dos organismos sociais é um catalisador do problema. Isso visto que, perante o contexto capitalista contemporâneo, os pais e responsáveis tem dedicado a maior parte do seu tempo unicamente ao trabalho, de maneira a não entender e analisar o comportamento de seus filhos. Paralelamente, a rede pública de saúde brasileira, não obstante tenha concebido a campanha “Setembro Amarelo”, mostra-se deficiente, com serviços inoperantes e poucos profissionais habilitados no assunto. Sob esse ângulo, assim como defende Émile Durkheim na obra “O Suicídio”, as instituições não garantem a prevenção e a oferta de ferramentas sociáveis.

Urge, portanto, que o suicídio na juventude é um caso de saúde pública no país. Destarte, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar uma estrutura abrangente de precaução, a partir da inserção de palestras, ministradas por sociólogos e especialistas na área da ciência mental e destinadas aos alunos, progenitores e profissionais da educação, sobre a importância do diálogo e dos métodos de ajuda, bem como a implantação, no cronograma escolar, de atividades lúdicas e de integração social; a fim de coibir as motivações da autoquíria. Outrossim, ONGs e instituições sem fins lucrativos, como o CVV (Centro de Valorização da Vida), devem, a partir do Ministério da Saúde, criar cursos de capacitação e ouvidorias, para não restringir a abordagem do assunto somente a psiquiatras. Dessa forma, os adolescentes serão capazes de racionalizar e fortalecer a Apatheia, ou seja, a supressão das sensações destrutivas.