Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/04/2018

“Saio da vida para entrar na história”. Essa frase dita por Gertúlio Vargas marcou o seu segundo governo, que devido a fortes oposições, chegou ao fim por meio de seu suicídio, deixando apenas uma carta-testamento com os motivos ao qual o levaram a dar fim a sua vida. Todavia, o suicídio não é um problema que ficou no passado. Atualmente, vários jovens vem tirando a própria vida no Brasil e, tanto as causas, quanto as consequências desse problema, estão relacionados a fatores sociais e coletivos dentro da sociedade, tornando-se imprescindíveis mudanças para resolver o impasse.

É indubitável que o suicídio está relacionado a algum tipo de sofrimento existencial que a pessoa não consegue superar. Consoante o filósofo Nietzsche, “a ideia do suicídio é uma grande consolação: ajuda a suporta muitas noites más”. Dessarte, seguindo essa linha de pensamento, percebe-se que muitas pessoas que se deparam em um estado depressivo, sem esperança e se martirizando com suas angústias e decepções, encontram na morte a única saída para a dor e o sofrimento, deixando na vida de sua família e amigos um sentimento de dor e culpa.

Contudo, a problemática está distante de chegar a um desdobramento final. No livro “O suicídio”, Émile Durkheim descreve os tipos de suicídios, os classificando como: egoísta, altruísta e anômico. E, outrossim, ainda retrata a coercitividade e exterioridade da sociedade para com os indivíduos. Logo, partindo desse pressuposto, nota-se que o suicídio é um ato coletivo, que tange a influência exercida pela sociedade no indivíduo. Assim, quando surge no corpo social aquilo que ele chama de anomia, entrelaçando essas ideias com a falta de diálogo com pessoas próximas ou especialistas - muitas vezes por medo de serem julgadas - favorecem para a ampliação das taxas de suicídios, fazendo com que ele ainda seja o desfecho da vida de muitos muitos adolescentes.

Fica evidente, portanto, que a perpetuação do suicídio entre os jovens brasileiros está relacionada a influência causada pela sociedade no indivíduo e a falta de comunicação, e, desse modo, precisa ser combatida. Como forma de garantir isso, cabe ao Ministério da Saúde criar um portal anônimo online, com consultas psicológicas gratuitas durante todo o horário comercial. Diante disso, as pessoas que estão passando por problemas e precisam desabafar, possam conversa com os especialistas sobre diversos assuntos sem o medo de serem julgadas, podendo realizar as consultas online até adquirirem confiança no psicólogo e resolverem divulgar suas identidades e, destarte, marcarem novas consultas presencialmente. Com isso, a problemática poderá ser resolvida de curto a médio prazo, visto que por meio da conversa acolhe-se o sofrimento, sendo muito eficaz na busca por soluções alternativas para os problemas enfrentados, descartando assim a hipótese do suicídio.