Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 08/05/2018

Na obra “Os sofrimentos do jovem Werther”, escrita por Goethe no ano de 1774, o protagonista é acometido por uma paixão idealizada e avassaladora por Charllote, em razão da impossibilidade de viver esse amor por ela já ter alguém a quem amar, Werther comete suicídio. Fora das entrelinhas do romance, atos como esses são frequentes, ora motivados por transtornos psicológicos e pela fragilidade dos jovens, ora pela banalização e falta de informação acerca do assunto.

Partindo desse pressuposto,  a depressão é vista como a maior razão pela qual o ato é executado, uma vez que a pessoa acometida por essa patologia perde a perspectiva de vida e utiliza o suicídio como forma de atenuar o sofrimento. Além disso, assim como propõe Émille Durkheim, o suicídio não é uma ação individual, mas sim uma imposição da sociedade, na medida em que se o jovem não segue determinado padrão ou não age da forma considera correta, ele é excluído socialmente e enxerga no autocídio uma válvula de escape, é o considerado suicídio egoísta, já que motivado pelo não pertencimento a sociedade a alternativa é justamente desintegrar-se dela.

Ademais, a banalização do assunto e a ausência de informações são outros fatores determinantes para os altos índices vistos atualmente. Parte da população trata com irrelevância por acreditar que são as ditas “frescuras”, quando ,na verdade, para que haja um suicídio muita dor e sofrimento existiram antes da decisão. Vale ressaltar que aquele que decide por um fim a sua vida, o faz para livrar-se da dor e não ,necessariamente, porque quer sua morte, de fato. Não obstante a banalização do autocídio, há uma preocupação em expor os casos e, por isso, o assunto é pouco difundido, já que temem o efeito werther, uma vez que durante a publicação da obra o número de casos aumentou significativamente.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para atenuar o problema. O Ministério da Saúde aliado ao Ministério da Educação devem garantir que haja um psicólogo, psiquiatra nas instituições educacionais, a fim de que qualquer adolescente possa dispor de um atendimento de forma mais rápida, uma vez que atordoados com essa fase da vida, as atribulações da escola ,as constantes transformações do corpo e o descobrimento do “eu” são fatores que mexem constantemente com a mente dos adolescentes. Ademais, a mídia deve explanar de forma respeitosa o problema, apontando os frequentes casos, com o propósito de que as famílias estejam atentas aos pequenos sinais, na medida em que com ajuda isso pode ser evitado. Deve ainda veicular com mais frequência campanhas como a Setembro Amarelo, já que surtem um efeito positivo entre as pessoas, com o fito de promover a conscientização naquele que está disposto a cometer o autocídio, a fim de que ele veja que há saída para tamanho sofrimento e que, com certeza, não é o suicídio.