Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 17/05/2018

Goethe e Shakespeare. Dois célebres escritores, que tem em comum a presença de suicidio juvenil em suas obras. Tal aspecto, mostra que esse é um percalço que pendura desde muito tempo, presente em diversas épocas, civilizações e classes sociais. Na atual conjuntura da sociedade brasileira, o suicidio e entre jovens vem aumentando evidentemente e tem como fatores fomentadores a estigmatização de doenças psiquiátricas e males psicológicos, ausência de diálogo entre o jovem e a família e as características já intrínseca dessa fase da vida na qual há muitas aflições e ansiedade.

É impreterível salientar que o preconceito existente em torno das doenças psiquiátricas e sobre o ato de procurar tratamento é um dos fatores que potencializam esta problemática, pois grande parte dos jovens que cometem suicídio, muitas vezes, sofrem de depressão, ansiedade ou outros problemas. Este aspecto somado com esta ideia de senso comum que o acompanhamento psicológico e psiquiátrico serve apenas para “pessoas loucas”, acaba causando a marginalização de indivíduos que precisam de ajuda, o que pode levar a automutilação, isolamento, e por fim, o auto-extermínio.

Convém levar em deferência também que a juventude, por ser um período de transição entre a infância e a fase adulta, acaba sendo uma época de muitas mudanças e incertezas o que pode causar ansiedade e aflição. Além disso, levando em conta as ideias do sociólogo Émile Durkheim em relação  a influência da coercitividade do meio sobre o indivíduo, é possível inferir que quando exposto a um meio hostil e egoísta sem perspectiva de ajuda, seja em casa ou na escola, o jovem já imerso em sentimentos dúbios tem possibilidades maior de cometer suicídio. Deve-se destacar também que a falta de diálogo entre as famílias acaba sendo um dos fatores contribuintes para este entrave, visto esse assunto se trata ainda de um “tabu” na sociedade, e muitos pais se sentem constrangidos a falar disso com seus filhos, ou simplesmente acham que não é necessário.

Destarte, faz-se indubitável que o Estado, venha por meio de políticas públicas e investimentos pontuais resolver esta problemática. É imperativo que o Ministério da Saúde e da Educação venham em conjunto fazer campanhas nas escolas e unidades básicas de saúde sobre a importância de procurar  tratamento em caso de doenças emocionais e mentais, e de como ajudar alguém que esta passado por este tipo de problema. À escola, cabe o papel de orientar e acolher os jovens fornecendo ajuda psicológica e social e mantendo um ambiente agregador e protetor. Cabe família, como um dos pilares da sociedade, a atribuição de educar e dialogar com os jovens sobre o assunto. Por fim, a mídia deve por meio e propagandas e anúncios ratificar o processo de conscientização, para que assim, histórias como as de Goethe e Shakespeare venham ficar cada vez mais, somente na literatura.