Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 21/05/2018

No Romance de Machado de Assis “Memórias Póstumas” o autor-defunto Brás cuba disse que, não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Acaso, ele estivesse certo em sua decisão, afinal é inadmissível que em pleno século XXI, em um país em desenvolvimento, o suicídio ainda seja visto como um estereótipo e seja tratado com inaptidão. Á vista disso, surge a problemática da banalização frente ao auto-extermínio que está intrinsecamente ligado à ineficácia do governo e a lenta mentalidade social.

Mormente, a célebre obra de William Shakespeare “Romeu e Julieta” , retrata a fictícia paixão entre dois jovens em que o suicídio entre ambos é a única forma de se unirem em definitivo. Isso posto, fora da ficção, o autocídio não deve ser abalizado de maneira poética. De maneira análoga, é incontendível que a trivialização e a romantização frente à essa situação estão entre as causas do agravamento do problema. Por conseguinte, a depressão se alastra e abate jovens por serem mais suscetíveis, seja por fator biológico, seja pelos desafios impostos nessa fase da vida. Logo, os distúrbios e doenças psicológicas que na grande maioria são vistos de maneira simplista, leva a conclusão de que o suicídio é a única forma de se alforriar dos problemas. Não obstante, esses atos são camuflados e menosprezados, advindo do senso comum em que a sociedade hodierna é movida, tornando assim justificável o acréscimo de suicídio entre jovens no Brasil.

Além disso, é cabível enfatizar que o pesamento ultraconservador e protecionista de algumas famílias frente ao bem estar dos jovens, contribui para o autocídio, tendo em vista que, o excesso de proteção pode dificultar o amadurecimento, bem como a sonegação de alguns pais (precipuamente em relação a opção sexual), podendo acarretar no abatimento emocional, e isso, faz-se refletir o pensamento propagado por Émile Durkheim, de que o meio social determina as atitudes do indivíduo.

Urge portanto, que o suicídio seja tratado com austeridade através de diretrizes propícias para mitigar essa ocorrência. Dessarte, o Governo Federal, deve criar parcerias com ONG’s que busquem a providência desse impasse através de campanhas nacionais ligadas a prevenção do suicídio. Ademais, o Ministério de Educação em conjunto com o Ministério de Saúde, deve promover palestras nas escolas acerca desse assunto, a fim de mitigar os pensamentos rudimentares em relação ao autocídio, esclarecendo os sintomas de distúrbios que podem desencadear esse ato. Somando-se a isso, devem oferecer apoio psicológico e psiquiátrico para os jovens que apresentarem algum distúrbio. A abordagem deve ter a presença das famílias para que elas saibam a importância do diálogo, bem como a importância da prudência em relação ao suicídio.